Ceuta é um foco recorrente de tensão diplomática. Marrocos não reconhece oficialmente Ceuta e Melilla como território espanhol e frequentemente se refere a elas como terras ocupadas. Cerca de 40% a 50% dos 84 mil residentes são muçulmanos de origem marroquina; do restante, a maioria é formada por cristãos espanhóis. Também há minorias de judeus e hindus na área de 18,5 km².

Devido à sua importância comercial e militar histórica, Ceuta foi alvo de constantes disputas até que Portugal assumiu o controle em 1415. Antes disso, havia sido colonizada sucessivamente por cartagineses, gregos e romanos.
O território passou para o domínio espanhol em 1580 e foi atribuído à Espanha oficialmente no Tratado de Lisboa (1688). Em 1995, o governo espanhol aprovou estatutos de autonomia para Ceuta, substituindo a câmara municipal por uma assembleia semelhante às das outras comunidades autônomas da Espanha.
As tensões entre Marrocos e Espanha remontam a 1884. Como parte da chamada Conferência de Berlim, grandes porções da África foram divididas entre as potências coloniais europeias da época. Naquele tempo, a área hoje conhecida como Saara Ocidental ficou sob a esfera de influência da Espanha, que começou a se retirar da região em 1976. Na sequência, Marrocos e Mauritânia reivindicaram o território. Em 1979, a Mauritânia renunciou às suas reivindicações e Marrocos ocupou a parte sul do Saara Ocidental.
Quando Marrocos se tornou independente, em 1956, a Espanha manteve as duas cidades sob sua administração. Para os marroquinos, isso reforça a leitura de que se trata de um caso de colonialismo europeu em território africano, mas a disputa envolve também argumentos históricos e jurídicos de ambos os lados.
