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Linha 6-laranja segue com obras após um mês – 03/08/2026 – Cotidiano

Um mês após a inauguração do primeiro trecho da linha 6-laranja, em São Paulo, passageiros ainda convivem com obras, escadas rolantes e elevadores fora de funcionamento, poeira e áreas isoladas por tapumes em diferentes estações. Embora o serviço opere com intervalos de cinco a sete minutos (no início chegavam a quase 20 minutos entre um […]

Um mês após a inauguração do primeiro trecho da linha 6-laranja, em São Paulo, passageiros ainda convivem com obras, escadas rolantes e elevadores fora de funcionamento, poeira e áreas isoladas por tapumes em diferentes estações.

Embora o serviço opere com intervalos de cinco a sete minutos (no início chegavam a quase 20 minutos entre um trem e outro) e parte dos problemas iniciais tenha sido resolvida, a reportagem constatou que algumas obras e acabamentos da linha segue incompleta.

No primeiro dia da operação assistida, no início de julho, à Folha encontrou um cenário marcado por tapumes, materiais de construção, fios espalhados pelo chão, escadas rolantes incompletas ou desligadas, elevadores fora de funcionamento e goteiras.

Um mês depois, a reportagem verificou avanços, como um entorno mais organizado em parte das estações, mas também constatou que as obras continuam em diferentes pontos da linha.

A expectativa é de que a situação melhore com a conclusão dessas intervenções.

A primeira fase da linha 6, com oito estações, estava prevista para abrir apenas em outubro. No entanto, a inauguração de seis delas foi antecipada para 2 de julho para que o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) pudesse participar da cerimônia —a legislação eleitoral veta a participação de candidatos (ele busca a reeleição) em eventos como esse a partir do dia 4 de julho.

Moradora da Freguesia do Ó (na zona norte da cidade), a costureira Maria Aparecida, 69, conta que aguardava havia anos pela chegada do metrô, apesar dos transtornos provocados pela longa execução do projeto.

“A gente estava muito ansioso por isso aqui. Faz muitos anos que essa obra ficou parada e prejudicou muita coisa. A gente tinha uma padaria ótima, onde tomava café da manhã e fazia as refeições. De repente, passou a comprar pão em um açougue. Agora que o metrô chegou, vamos ver se as coisas se reorganizam”, afirma.

O movimento também era diferente do registrado na inauguração. As filas e a curiosidade que marcaram os primeiros dias deram lugar a estações mais vazias. Ainda assim, a reportagem encontrou passageiros que percorriam o trajeto para conhecer o novo ramal e registrar a visita com fotos e vídeos.

De acordo com a concessionária Linha Uni, responsável pela construção e operação do ramal, foram transportados 42.239 passageiros entre 3 e 31 de julho, com uma média de 2.223 pessoas por dia.

A estação de maior movimento foi a João Paulo 1º, na Brasilândia (zona norte), com média de 10.861 passageiros no dia, seguida por Sesc-Pompeia (7.398), Água Branca (6.717), Freguesia do Ó (6.373), Santa Marina (5.729) e Perdizes (5.161).

Na última sexta (31), a reportagem percorreu as seis estações abertas ao público. Na João Paulo 1º, o entorno já apresenta um cenário menos caótico do que o observado na inauguração. A avenida que dá nome à estação está mais organizada, embora ainda haja tapumes e estruturas provisórias da obra.

Na Freguesia do Ó, poucas escadas rolantes estavam em funcionamento e um dos elevadores permanecia em manutenção. O canteiro de obras continua instalado no entorno da estação. Durante a visita da reportagem, o intervalo entre os trens variava de cinco a sete minutos.

No trajeto entre as estações Freguesia do Ó e Santa Marina, ainda é possível observar, pelas janelas dos vagões, trechos da estrutura da linha em obras. Segundo a concessionária Linha Uni, nesses pontos estão sendo concluídos os poços de ventilação e saída de emergência (PVSEs), que permanecem abertos até a finalização da construção.

Na estação Santa Marina, a acessibilidade continua incompleta. Trinta dias após a abertura da linha, a escada rolante utilizada pelos passageiros que desembarcam para deixar a estação permanecia sem funcionar. Desta vez, porém, a reportagem não encontrou o piso molhado nem registrou goteiras, problemas observados nos primeiros dias de operação.

O chão ainda estava empoeirado, embora funcionários realizassem a limpeza durante a visita. Para descer às plataformas, as escadas rolantes funcionavam normalmente. No sentido contrário, nenhuma estava em operação.

Na estação Sesc Pompeia, ainda faltam acabamentos no entorno das escadas. Algumas escadas rolantes permaneciam fora de funcionamento e um dos elevadores estava em manutenção, sinalizado por placas.

Diferentemente da Freguesia do Ó, havia escadas rolantes funcionando para a subida, enquanto a descida era feita pelas escadas fixas. Ao longo da manhã, muitos passageiros circulavam pela estação para conhecer o novo ramal e registravam fotos e vídeos.

Já em Perdizes, máquinas e equipamentos de obra permaneciam no local. Havia tapumes, acabamento pendente e bastante poeira, especialmente em pontos do saguão de entrada. Algumas escadas rolantes também continuavam fora de funcionamento.

Assim como na inauguração, a reportagem constatou que as portas de plataforma permaneciam abertas em todas as estações. Os equipamentos de segurança, instalados ao longo das plataformas, ainda não estavam em funcionamento integrado durante a operação assistida.

Procurada pela Folha, a concessionária Linha Uni disse que a primeira fase da linha 6 tem previsão de conclusão até o fim de 2026. Segundo a empresa, durante a operação assistida os equipamentos e sistemas são colocados em funcionamento gradualmente, conforme o fluxo de passageiros e a necessidade operacional.

A concessionária afirmou ainda que os tapumes serão retirados à medida que as obras avançarem. Segundo a Linha Uni, a operação assistida tem como objetivo validar o funcionamento dos sistemas em ambiente real, identificar oportunidades de correção e permitir a continuidade das implementações antes da conclusão da primeira fase.

Sobre os trechos ainda abertos entre as estações, a empresa afirmou que eles correspondem às obras dos poços de ventilação e saída de emergência, que permanecerão com essa configuração até a conclusão da construção.

Procurada, a Artesp (a agência reguladora dos transportes do governo paulitsa) disse que a linha 6 opera dentro do cronograma previsto e que ela cumpre os requisitos mínimos de exgidos pela legislação.

“Nesta fase inicial, a operação está sendo gradual, com foco na segurança dos passageiros, na validação dos sistemas e na ampliação progressiva do atendimento. Serviços complementares eventualmente em execução são compatíveis com essa etapa e não impactam a segurança dos passageiros tampouco o funcionamento da operação”, diz a nota.

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