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UMA DE CADA TRÊS: das moradias que Tarcísio anunciou como entregues, só um terço foi efetivamente construído

O número é de fácil leitura e difícil explicação: a gestão de Tarcísio de Freitas em São Paulo construiu apenas uma de cada três moradias que anunciou como entregues. A constatação é do UOL, a partir de dados da própria Secretaria Estadual de Habitação — e não se trata de atraso, se trata de contagem. […]

O número é de fácil leitura e difícil explicação: a gestão de Tarcísio de Freitas em São Paulo construiu apenas uma de cada três moradias que anunciou como entregues. A constatação é do UOL, a partir de dados da própria Secretaria Estadual de Habitação — e não se trata de atraso, se trata de contagem.

A explicação oficial para a diferença está em uma mudança de modalidade: das 117 mil unidades que o governo diz estar em obras, 72% são crédito imobiliário. Mais direto ainda: das 117 mil, 84 mil não estão sendo construídas pelo governo — são viabilizadas de diferentes formas via crédito imobiliário. Ou seja, o que entra na conta como “moradia” não é necessariamente obra pública: é carta de crédito emitida.

Carta de crédito não é casa

A secretaria sustenta que só contabiliza a entrega do benefício como moradia quando o empreendimento é finalizado e as chaves são entregues às famílias. É uma ressalva importante, e é preciso registrá-la: no papel, o estado afirma não contar promessa como entrega. Mas o dado que o UOL levanta é outro, e mais simples: o Estado emitiu 96,3 mil cartas de crédito imobiliário desde 2023. Carta emitida é acesso viabilizado — e isso tem valor social real, como a própria pasta argumenta ao lembrar que, sem o apoio do Estado, essas famílias teriam dificuldade ou simplesmente não conseguiriam adquirir uma moradia. A questão não é o mérito do instrumento: é o que ele pode ser chamado.

Uma carta de crédito é um direito de compra, ainda sujeito a encontrar imóvel, aprovar financiamento e concluir a obra. Uma casa entregue é uma chave na mão e uma família morando. Chamar uma de outra não é detalhe de nomenclatura: é o que transforma acesso habitacional em número de propaganda. E o efeito é medível — o beneficiário de crédito enfrenta a parte mais difícil do caminho (mercado, burocracia, obra) depois do anúncio, não antes.

O que ele promete para o próximo mandato

Candidato à reeleição, Tarcísio promete mais 30 mil unidades — com foco declarado em famílias que vivem em áreas de risco, como encostas, mananciais, várzeas de rios e palafitas. A promessa vem com uma imprecisão que o próprio UOL registra: ele não especificou se o número contempla moradias construídas pela CDHU ou entregas de cartas de crédito. É exatamente a mesma ambiguidade que produz o “1 em cada 3” do mandato atual — e que, repetida na campanha, transforma meta habitacional em meta contábil.

A conta final: o compromisso de tirar famílias de áreas de risco é o mais nobre e o mais urgente da pauta habitacional paulista — e é justamente o que não pode depender de crédito privado: quem mora em palafita não tem renda para financiar, tem risco de vida. Para essa gente, carta de crédito não é moradia; é fila. E fila, em encosta, tem nome: tragédia anunciada.

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