• Início  
  • 1.605 PONTOS EM OUTUBRO, 3.200 EM JUNHO: o wi-fi que acelerou na eleição e parou depois dela
- Notícias

1.605 PONTOS EM OUTUBRO, 3.200 EM JUNHO: o wi-fi que acelerou na eleição e parou depois dela

Investigação da Polícia Civil de São Paulo aponta que o Instituto Conhecer Brasil (ICB), entidade presidida por Karina Ferreira da Gama — a produtora do filme “Dark Horse” — antecipou a instalação de pontos de wi-fi na capital durante as eleições municipais de 2024. A representação policial de maio de 2026 é explícita sobre o […]

Investigação da Polícia Civil de São Paulo aponta que o Instituto Conhecer Brasil (ICB), entidade presidida por Karina Ferreira da Gama — a produtora do filme “Dark Horse” — antecipou a instalação de pontos de wi-fi na capital durante as eleições municipais de 2024. A representação policial de maio de 2026 é explícita sobre o motivo: a instalação dos pontos foi “consideravelmente antecipada por interferência política direta”, alcançando 1.605 pontos ativos no final de outubro de 2024.

O que veio depois é o dado que a investigação trata como sintoma: encerrado o certame eleitoral, o ritmo de instalações desacelerou bruscamente — chegando a apenas 3.200 pontos em junho de 2025. E os 1.800 pontos restantes simplesmente nunca foram instalados. Ou seja: a estrutura acelerou até a eleição e freou depois dela, deixando a obra inacabada justamente na parte que não rende voto.

O contrato, o repasse antecipado e o prejuízo apontado

O ICB tem um contrato de R$ 108 milhões anuais com a Prefeitura de São Paulo para instalar pontos de wi-fi na periferia da capital. Segundo a denúncia recebida pela Polícia Civil, durante as eleições a prefeitura antecipou o pagamento de parte do contrato: o repasse foi de R$ 69 milhões no período em que o valor devido seria de R$ 43 milhões. A antecipação, de R$ 26 milhões, teria representado prejuízo para a prefeitura — porque os serviços pagos não teriam sido prestados.

A lógica do dano é direta e não depende de interpretação: pagar antes de receber transfere risco do contratado para o erário. Se o serviço não foi executado, o município ficou R$ 26 milhões mais pobre em caixa e igual em pontos de wi-fi. Num contrato de conectividade para periferia — onde cada ponto ativo significa acesso real para quem não tem banda larga — o prejuízo não é só contábil: é 1.800 endereços que continuam sem sinal.

O que o STF já determinou

O caso escalou porque envolve o deputado federal Mário Frias (PL-SP), com foro privilegiado, e porque há “fortes indícios de que os fatos integram um único esquema de desvio e lavagem de dinheiro” — razão pela qual o STF assumiu o processo. O ministro Flávio Dino determinou que a Polícia Federal abra inquérito exclusivo para investigar o contrato municipal e mandou suspender qualquer pagamento de contratos do poder público com o instituto. A prefeitura, até o momento, mantém o contrato: na manhã de sexta (11), o prefeito Ricardo Nunes (MDB) havia anunciado que a gestão acionaria o STF para entender com Dino se há necessidade de rompimento.

A conta final: o padrão que a representação descreve é o de uma obra calibrada pelo calendário eleitoral — acelerada até a urna, abandonada depois. Se a explicação é técnica (chuvas, licenciamento, logística), ela se prova com cronograma. Se não é, o wi-fi da periferia paulistana virou material de campanha — e o R$ 26 milhões pagos a mais, dinheiro público que saiu antes da conta chegar.

As melhores notícias estão no Observatório Público

Apuração independente sobre família, ciência, saúde e o que acontece no Brasil e no mundo. Sem ruído e sem alarde: só o que você precisa saber para entender o seu dia.

Seções

Observatório Público © 2026. Todos os direitos reservados.