Se a gente levar em conta o resultado orçamentário, sobre o qual Durigan nada falou, a desvantagem do Brasil no campo das contas públicas torna-se ainda mais acentuada. Com a política de déficit primário (exclui os juros da dívida pública) zero, a Argentina fechou 2024 e 2025 com superávit de 1,8% e 1,4% do PIB, respectivamente.
No mesmo período, o governo Lula, com Haddad na Fazenda, tingiu de vermelho as contas públicas, que haviam fechado com superávit de 0,6% em 2022, no governo anterior. Em 2024, o déficit primário chegou a 0,4% do PIB (R$ 43 bilhões) e em 2025, a 0,5% do PIB (R$ 61,7 bilhões) —sem contar as despesas excluídas do cálculo pelo governo para “dourar” os números oficiais. Só entre 2023 e 2025, de acordo com dados da IFI (Instituição Fiscal Independente), ligada ao Senado, o governo Lula gastou nada menos que R$ 324,3 bilhões, o equivalente a 2,5% do PIB, fora da meta.
Anabolizantes
Mesmo com a magnitude do ajuste fiscal realizado por Milei para colocar a casa em ordem, que levou a uma recessão de 1,7% do PIB no primeiro ano de seu governo, a Argentina conseguiu um belo resultado de lá pra cá, bem superior ao alcançado pelo governo Lula com todos os anabolizantes que injetou na economia, no mesmo período.
Em 2025, a Argentina teve um crescimento equivalente a 4,4% do PIB, com projeção de um repique de 3% a 3,6% em 2026 —um resultado que, se confirmado, representará, na pior hipótese, um salto acumulado de 7,5% do PIB. Enquanto isso, o Brasil cresceu 2,3% do PIB em 2025 e a média das previsões dos economistas dos bancos, conforme o Boletim Focus, aponta um crescimento de apenas 2% neste ano —4,8% do PIB no acumulado dos dois anos.
Para reforçar sua narrativa sobre uma suposta superioridade relativa do Brasil em relação à Argentina, Durigan ainda “se esqueceu” de mencionar que as medidas tomadas pelos governos peronistas tiraram muito do estímulo do agronegócio para exportação, com a cobrança de impostos pesados sobre os produtores nas vendas externas. Além disso, os produtores eram obrigados a exportar pelo dólar oficial e a comprar máquinas, insumos e defensivos importados pelo câmbio paralelo, cujo ágio roçou os 200% sobre a taxa controlada pelo governo.
