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O CANDIDATO QUE SÓ TEM INSULTO: Renan Santos chama Flávio de “estúpido” e “bandido da política” — mas apresenta zero prova e zero proposta

Em uma sabatina do UOL e da Folha de S.Paulo, o candidato à Presidência Renan Santos (Missão) teve a oportunidade de apresentar seu projeto de país. Escolheu outra coisa: transformar o palco em ringue verbal. Perguntado sobre um eventual apoio a Flávio Bolsonaro (PL) em segundo turno — e também a Lula (PT) —, respondeu […]

Em uma sabatina do UOL e da Folha de S.Paulo, o candidato à Presidência Renan Santos (Missão) teve a oportunidade de apresentar seu projeto de país. Escolheu outra coisa: transformar o palco em ringue verbal. Perguntado sobre um eventual apoio a Flávio Bolsonaro (PL) em segundo turno — e também a Lula (PT) —, respondeu com uma frase que encerra qualquer dúvida sobre o método:

“Jamais vou trabalhar com a hipótese de eu me juntar a algum desses grupos políticos, porque eles são corruptos.”

“Porque eles são corruptos” — sem um único documento, sem uma única decisão judicial, sem citar um processo. E completou, sobre o adversário: “O Flávio Bolsonaro é um bandido da política”, além de tê-lo chamado de “estúpido”. Em um país onde “bandido” tem significado jurídico preciso, um presidenciável usa a palavra como adjetivo de gosto pessoal.

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Existe uma diferença entre fiscalizar adversários e ofender adversários. Fiscalizar exige prova anexa — inquérito, relatório, votação, orçamento, dado. Ofender exige apenas palco. E o que a sabatina registrou foi um candidato que, convidado a expor seu programa, escolheu classificar pessoas por adjetivo em vez de demonstrar fatos: chama de “corrupto” um grupo político inteiro e de “bandido” um concorrente, mas não apresenta nenhuma evidência ao vivo para sustentar o que disse.

Mais grave para a função que pretende ocupar: ao tratar a política como território de “eles são corruptos“, Renan posiciona-se fora da política que precisa ser consertada — como se governar fosse um ato de pureza pessoal, e não de negociação, articulação e responsabilidade. Um candidato que diz que jamais trabalhará com dois blocos que somam a maior parte do eleitorado brasileiro não está propondo governar o país: está propondo governar a sua torcida.

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Renan também voltou a afirmar que não reconhece o ministro Alexandre de Moraes como legítimo, após as revelações sobre o suposto envolvimento dele com o Banco Master. É um tema sério — e merece investigação por quem tem competência para isso —, mas o candidato o converte em bandeira de campanha e em legitimidade seletiva: reconhece os ministros que lhe agradam e nega o que não agrada. Ao apontar o “cansaço do eleitor” como a “grande novidade política“, admite o que sua própria campanha expõe: uma aposta no desgaste do sistema, não na construção de alternativa para ele.

A conta final: insulto não é programa, adjetivo não é prova e desprezo pelo adversário não é projeto de país. Quem quer governar o Brasil precisa mostrar como vai fazer — e, até aqui, o que Renan Santos apresentou foi um vocabulário. Aos eleitores que o procuram por indignação, fica a pergunta simples que a sabatina deixou no ar: além de chamar o outro de bandido, o que ele vai fazer?

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