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NYT: Uber usa estratégia agressiva para contestar vítimas

Nos autos, porém, a Uber sustentou que a mulher “se comportou de maneira negligente e descuidada” e que teria “contribuído” para as próprias lesões. A empresa também afirmou, segundo o NYT, que as alegações de dor e sofrimento dela seriam “não relacionadas” ao episódio que motivou a ação. Em uma sessão com advogados da Uber, […]

Nos autos, porém, a Uber sustentou que a mulher “se comportou de maneira negligente e descuidada” e que teria “contribuído” para as próprias lesões. A empresa também afirmou, segundo o NYT, que as alegações de dor e sofrimento dela seriam “não relacionadas” ao episódio que motivou a ação.

Em uma sessão com advogados da Uber, a sobrevivente foi submetida a um questionamento que críticos consderam agressivo. “O que você estava vestindo?”, cita a reportagem como uma das perguntas feitas. Representantes da empresa ainda perguntaram o quanto ela tinha bebido naquela noite e a dosagem de um remédio psicoestimulante.

A apuração do NYT diz que esse tipo de argumentação contrasta com a comunicação pública da companhia sobre o tema. A reportagem lembra que a Uber afirma adotar uma abordagem “centrada na sobrevivente” e “informada por trauma” e chegou a produzir vídeos de orientação a motoristas com a mensagem de que “a violência sexual nunca é culpa da sobrevivente”.

O que a Uber diz

O diretor jurídico da Uber, Tony West, reconheceu que o sistema judicial pode ser especialmente duro com sobreviventes, mas afirmou que a empresa tenta conciliar defesa e respeito. “Serei o primeiro a dizer que nosso sistema jurídico pode ser particularmente duro para sobreviventes. Deixei claro para minha equipe jurídica que eles devem sempre tratar sobreviventes com respeito, compaixão, cortesia e dignidade, e é exatamente isso que eu vi eles fazerem. Defender a empresa em um processo e tratar sobreviventes com humanidade não são coisas mutuamente exclusivas; precisamos fazer as duas”, disse em comunicado.

A vice-conselheira geral adjunta da empresa, Katie Waitzman, afirmou que a Uber questiona danos emocionais quando vê indícios de outras causas. “Quando autores alegam indenização por danos emocionais e atribuem 100% dessas lesões ao incidente relacionado à Uber, apesar de evidências em sentido contrário, precisamos seguir essa linha de investigação, ainda que relutantemente”, disse, em comunicado.

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