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O jornalista Eduardo Meirelles, conhecido como autor da biografia da atriz Lucélia Santos, morreu na madrugada de quarta-feira, 29, após sofrer o que parece ter sido um infarto fulminante.
A família do repórter de 30 anos confirmou a suspeita à imprensa, embora a causa exata do óbito ainda esteja sob investigação.
As declarações foram complementadas por um dado de seu histórico de saúde: desde a infância, Meirelles também convivia com um “sopro” no coração.
Entenda melhor o que é essa condição e de que maneira ela pode influenciar os riscos de problemas cardiovasculares que ameaçam a vida.
O que é o sopro no coração?
O nome é autodescritivo: o “sopro” no coração é um som atípico que os médicos podem perceber na ausculta com estetoscópio.
Em condições normais, o batimento cardíaco produz dois sons relacionados ao fechamento das válvulas do coração e o aparecimento de um ruído além deles é definido genericamente como um sopro.
É comum que esse achado clínico gere confusão: embora o sopro possa indicar problemas de saúde sérios, muitas vezes ele é caracterizado como “inocente“. Ou seja, sem uma doença de fundo nem motivos para preocupação.
Quando um médico percebe essa alteração, a única maneira de ter certeza se ela é indicativa de algum risco extra é realizando exames complementares, como eletrocardiograma, ecocardiograma e outros testes da saúde cardíaca.
O sopro traz riscos à saúde?
Em muitos casos, o sopro é um achado clínico que não necessariamente indica problemas de saúde.
Isso ocorre especialmente quando ele é identificado na infância: muitas crianças apresentam essa alteração sem alguma doença associada e até deixam de ter o sopro conforme crescem.
Mesmo quando ele não desaparece, ainda assim pode seguir presente sem trazer riscos.
Mas o ruído extra no batimento cardíaco pode, sim, ser um sinal de alerta.
É que ele também aparece diante de cardiopatias congênitas (alterações na estrutura ou função do coração desde o nascimento que afetam 1% da população) e de outros quadros desenvolvidos ao longo da vida.
Assim, um sopro pode sinalizar insuficiência cardíaca e arritmias, por exemplo, entre outras condições.
Uma das principais causas do sopro cardíaco é a chamada febre reumática, uma alteração nas estruturas cardíacas que pode ocorrer em pessoas que tiveram faringite de repetição ao longo da vida.
Esses quadros dizem respeito a infecções de garganta por Streptococcus que não foram adequadamente tratadas e levaram a uma resposta inflamatória crônica que, com os anos, passa a afetar o músculo cardíaco, em particular suas válvulas.
A identificação adequada do problema de fundo é chave para tratar as condições crônicas que causam o sopro (o que pode exigir medicamentos, cirurgia ou até transplante, a depender do caso e sua gravidade) e evitar que ele leve a agravamentos que ameaçam a vida.
Sopro e infarto têm relação?
O sopro e o infarto têm mecanismos diferentes.
Enquanto o primeiro está relacionado à forma como o sangue circula nas câmaras e válvulas dentro do músculo cardíaco, o infarto decorre da obstrução da artéria coronária, o que interrompe a chegada de sangue para o coração.
Por isso, tecnicamente não há uma relação direta entre o sopro e o infarto que poderia ter vitimado o jornalista Eduardo Meirelles.
Entretanto, há estudos que sugerem uma correlação entre os diagnósticos em alguns casos, o que pode fazer do sopro um marcador de risco — mesmo sem provocar o infarto por si mesmo.
Por exemplo, um grande estudo de coorte, publicado nos Estados Unidos em 2009, concluiu que há mais chances de sofrer um infarto já tendo um sopro observado previamente.
No entanto, outras pesquisas e dados mais recentes são necessárias para entender como funciona essa possível associação.
