Os europeus chegaram às Américas em 1492. Os povos indígenas não tinham tido contato prévio com a varíola e, portanto, não possuíam imunidade natural. O vírus foi transmitido por contato entre pessoas, provocando um colapso populacional cataclísmico.
“O primeiro surto documentado de varíola nas Américas ocorreu na ilha de Hispaniola em 1518, enquanto ela estava sendo colonizada pelos espanhóis”, disse Bruno Romero González, geneticista e doutorando no Trinity College de Dublin, além de autor principal do estudo publicado hoje na revista Science.
Hispaniola é hoje compartilhada pelo Haiti e pela República Dominicana.
“A varíola foi uma das doenças infecciosas mais devastadoras da história da humanidade”, afirmou Shigeki Nakagome, geneticista do Trinity College de Dublin e coautor do estudo.
“Acredita-se que ela tenha afetado as populações humanas por pelo menos 1.500 a 2.000 anos — possivelmente por mais tempo — antes de ser erradicada por meio de uma campanha global de vacinação em 1980. Antes da erradicação, ela causou epidemias repetidas em todo o mundo, e estima-se que tenha matado centenas de milhões de pessoas”.
Nas Américas, a varíola e outras doenças virais mataram, segundo algumas estimativas, cerca de 90% dos povos indígenas. Isso ajudou os espanhóis a derrotar o Império Asteca no atual México, as cidades-estado maias na América Central e o Império Inca, que se estendia do atual Equador, passando pelo Peru, até o Chile.
