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SP registra 141 feminicídios no 1º semestre e bate recorde – 30/07/2026 – Cotidiano

Com 141 registros, os casos de feminicídio no primeiro semestre deste ano no estado de São Paulo chegaram ao maior patamar da série histórica, iniciada em 2018. Na comparação com o mesmo período de 2025, a alta foi de 10%, conforme dados divulgados nesta quinta-feira (30) pela Secretaria da Segurança Pública. As notificações levam em […]

Com 141 registros, os casos de feminicídio no primeiro semestre deste ano no estado de São Paulo chegaram ao maior patamar da série histórica, iniciada em 2018. Na comparação com o mesmo período de 2025, a alta foi de 10%, conforme dados divulgados nesta quinta-feira (30) pela Secretaria da Segurança Pública.

As notificações levam em consideração o número de casos e não o número de vítimas, que pode ser maior caso haja mais de um óbito em uma mesma ocorrência —este dado de vítimas não foi divulgado.

O aumento em 2026 foi puxado pelo interior do estado, que registrou 96 boletins de ocorrência de janeiro a junho, contra 70 no ano anterior.

Na cidade de São Paulo, a tendência foi inversa: os casos recuaram de 31 para 24 no semestre. A quantidade total ainda inclui a região metropolitana (com queda de 27 para 21).

O governo de Tarcísio de Freitas (Republicanos) destacou que, em junho isoladamente, os registros no estado caíram de 21 para 17. Na capital, o número de feminicídios em junho recuou de quatro para três.

A Lei do Feminicídio foi sancionada em 2015, mas a série histórica da SSP só passou a ser contabilizada em 2018.

Antes da mudança na legislação, esses crimes em geral eram registrados como homicídio. Com a alteração, os assassinatos em razão de gênero passaram a ser contabilizados separadamente, com o objetivo de acompanhar com mais atenção a evolução das ocorrências e ajudar na formulação de políticas de proteção, conforme o governo.

Segundo a lei, entende-se por razões de gênero o menosprezo ou a discriminação à condição de mulher, além de situações que envolvem violência doméstica e familiar.

Especialistas destacam que, em parte, o dado de feminicídio tem aumentado pela melhor capacidade de classificação do crime pelas polícias. No geral, homicídios de mulheres têm apresentado queda no país. Por outro lado, apontam que o país tem observado uma intensificação da violência de gênero, visível em crimes praticados dentro das residências e que podem culminar com o feminicídio.

Os casos no estado têm crescido de forma gradual e consecutiva desde o início da série histórica, quando foram registradas 57 mortes, em 2018.

“O enfrentamento à violência contra a mulher exige investigação qualificada, acolhimento humanizado e atuação integrada com toda a rede de proteção”, diz em nota a coordenadora das delegacias de defesa da mulher no estado, delegada Cristiane Braga.

“Cada denúncia recebida é uma oportunidade de interromper o ciclo da violência e evitar que situações de risco evoluam para crimes mais graves”, acrescenta.

Dados nacionais do Anuário Brasileiro de Segurança Pública divulgados na semana passada mostram que, para cada feminicídio registrado no Brasil em 2025, foram contabilizados 502 casos de ameaça, 182 agressões físicas e 79 crimes de perseguição contra mulheres.

A proporção ajuda a dimensionar a escalada de violências que pode anteceder o assassinato por razões de gênero, destacam os especialistas. Todos os dias, o país registra, em média, quatro feminicídios e mais de 2.000 ameaças contra mulheres.

No ano passado, 1.571 foram vítimas de feminicídio, o maior número da série histórica, segundo o 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública. A taxa nacional foi de 1,4 vítima de feminicídio para cada grupo de 100 mil mulheres.

Nos crimes que aparecem nos degraus anteriores dessa escalada, as taxas foram bem mais altas: 720,9 registros de ameaça, 261,7 de lesão corporal dolosa em contexto de violência doméstica, 113,3 de perseguição e 55,6 de violência psicológica para cada 100 mil mulheres.

Em março, a Folha teve acesso a oito boletins de ocorrência e inquéritos deste ano e reconstruiu a história de algumas das vítimas na maior cidade do país. Os casos repetem alguns padrões que evidenciam a violência de gênero, como a autoria por companheiros e ex-companheiros, a escalada de brutalidade que terminou em morte e a dor da família diante da perda.

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