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Como a crítica avalia Avatar: Fogo e Cinzas, que chega ao streaming da Disney

A aguardada estreia de Avatar: Fogo e Cinzas no streaming do Disney+ coloca, novamente, James Cameron no centro de um debate sobre os limites da tecnologia e a longevidade narrativa. Se o primeiro filme, em 2009, prometia uma revolução, e a sequência de 2022 impressionou pela excelência técnica subaquática, o novo capítulo da franquia chega […]

A aguardada estreia de Avatar: Fogo e Cinzas no streaming do Disney+ coloca, novamente, James Cameron no centro de um debate sobre os limites da tecnologia e a longevidade narrativa. Se o primeiro filme, em 2009, prometia uma revolução, e a sequência de 2022 impressionou pela excelência técnica subaquática, o novo capítulo da franquia chega sob a sombra de uma barra de novidade cada vez mais alta. O consenso entre a crítica aponta para um embate claro: de um lado, o reconhecimento da maestria de Cameron em orquestrar o espetáculo sensorial; do outro, o questionamento sobre a profundidade e a originalidade da jornada de Jake Sully e sua família após a perda do filho, Neteyam.

Entre o deslumbramento e o cansaço visual

Para Jaume Figa Vaello, do site espanhol Aceprensa, a película reafirma Cameron como um diretor que compreende o cinema como um “autêntico viagem sensorial”, ideal para salas IMAX e projeção em 3D. Contudo, o crítico alerta que o hiperrealismo, embora espectacular, começa a demonstrar sinais de fadiga, levando o espectador a questionar se assiste a um filme ou a um “videogame de altíssima gama”.

Essa visão é contrastada por Owen Gleiberman, da Variety, que reconhece que o efeito de “novidade” da tecnologia 3D perdeu parte de seu brilho original. Ainda assim, Gleiberman observa que o filme compensa com sequências de ação extraordinárias, onde a mistura de vastidão e detalhe logístico — como o voo entre estruturas industriais — eleva o nível da experiência. Em contrapartida, Brian Tallerico, escrevendo para o site Roger Ebert, argumenta que o filme, embora execute o espetáculo com competência, “toma banho em águas belamente renderizadas”, sugerindo que a grandiosidade visual não é suficiente para ocultar a falta de avanço narrativo.

A família Sully e o peso da narrativa

O roteiro, assinado por Cameron, Rick Jaffa e Amanda Silver, é o ponto onde as opiniões mais se distanciam. Para Gleiberman, Fogo e Cinzas é um filme “mais audacioso e mais firme”, com uma história dramaticamente focada que consegue integrar bem o luto de Jake e a instabilidade emocional de Neytiri. Já Tallerico defende que o filme “desperdiça a oportunidade” de encerrar o arco com fúria e peso, criticando a repetição de temas e situações já exploradas em O Caminho da Água.