1) Estruturas complexas de texto nem sempre são compatíveis com a faixa etária ou o nível de aprendizagem dos alunos. Por isso, elas podem indicar o uso de ferramentas de IA na criação de respostas.
2) A comparação com textos anteriores de um aluno pode revelar se a nova tarefa segue o mesmo estilo ou destoa bastante —o que pode ser um indício (mas nunca uma prova) de uso de IA.
Mas tem um desafio aí: algumas IAs se adaptam ao estilo da pessoa. “Em qualquer trabalho escrito, há uma grande dificuldade de detecção. Hoje em dia há IAs que você personaliza, e elas podem editar o texto com o seu estilo”, diz Diogo Cortiz, colunista de Tilt e professor da PUC-SP.
Outra tática bem analógica, mas que funciona, é perguntar ao aluno sobre o que ele escreveu. “Em dois minutos de conversa, perguntando coisas como ‘por que você escolheu este argumento?’, o professor já consegue entender como o aluno chegou àquela resposta e se usou IA ou não”, diz Rogens.
Já as ferramentas de detecção de inteligência artificial podem revelar indícios. Existem no mercado softwares que dizem se um texto foi ou não gerado por IA. O problema é que não dá para confiar de olhos fechados. “Esses sistemas não são 100% confiáveis, pois funcionam de forma probabilística. Eles podem servir para detectar um indício de uso de IA, mas não devem ser a única prova”, explica Geane Alzamora, professora de Comunicação Social da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais) e membro da comissão permanente de IA da instituição.
Mas, afinal, precisamos mesmo barrar a IA na sala de aula?
A IA não é boa ou ruim em si; depende de como é usada. Para Rogens, do Colégio Mackenzie, a ferramenta precisa “ampliar o pensamento, não substituir o processo de aprendizagem”. Ele diz que a tecnologia pode auxiliar no processo de aprendizagem. “Em vez de pedir para a IA escrever uma redação, o aluno poderia se aprofundar, pedindo a IA para citar objeções ao argumento usado em um texto”, exemplifica.
