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Migrantes rompem cerca e entram em cidade da Espanha; veja – 30/07/2026 – Mundo

Centenas de imigrantes romperam cercas e entraram em Ceuta, território espanhol que fica no norte da África, vindos do Marrocos nesta quinta (30), informou a Guarda Civil da Espanha. O governo alertou para uma situação de “emergência humanitária” e, horas depois, confirmou a morte de ao menos nove pessoas. Imagens mostram imigrantes atravessando a fronteira […]

Centenas de imigrantes romperam cercas e entraram em Ceuta, território espanhol que fica no norte da África, vindos do Marrocos nesta quinta (30), informou a Guarda Civil da Espanha. O governo alertou para uma situação de “emergência humanitária” e, horas depois, confirmou a morte de ao menos nove pessoas.

Imagens mostram imigrantes atravessando a fronteira marítima a nado a partir do lado marroquino, utilizando boias infláveis. Outros romperam um portão da cerca terrestre e correram para o lado espanhol. A emissora estatal do país europeu TVE informou nesta quinta que de 2.000 a 3.000 pessoas haviam atravessado a fronteira. A agência de notícias Reuters não conseguiu confirmar a informação.

Ceuta, juntamente com Melilla, outra cidade autônoma espanhola no norte da África, representa a única fronteira terrestre entre União Europeia e África. As duas registram periodicamente tentativas de travessia de estrangeiros que buscam chegar ao território europeu.

A cena lembrou a travessia ocorrida em maio de 2021, quando cerca de 10 mil pessoas do Marrocos e da África subsaariana —muitas delas menores de idade— entraram no território espanhol de 85 mil habitantes em questão de dias.

Um porta-voz da Guarda Civil disse nesta quinta que os migrantes estavam “entrando em massa pelo mar”, passando pelo quebra-mar de Tarajal. Ele, entretanto, não forneceu estimativas numéricas.

Muitas lojas locais fecharam suas portas. Enrique Serrano, proprietário de uma loja de roupas femininas no centro de Ceuta, disse à Reuters que os comerciantes estavam se organizando para proteger suas propriedades e famílias contra possíveis distúrbios, acreditando que os recursos policiais seriam insuficientes.

O governo socialista da Espanha destaca-se na Europa por sua postura favorável aos migrantes e lançou no início do ano um programa para conceder status legal a cerca de 500 mil migrantes sem documentos, gerando um volume de solicitações que dobrou esse número. Partidos de direita criticaram a iniciativa, argumentando que ela atrairia mais migrantes para a Espanha, e rapidamente culparam o primeiro-ministro Pedro Sánchez por permitir que a situação em Ceuta atingisse proporções de crise.

O líder do Partido Popular (da oposição conservadora), Alberto Núñez Feijóo, escreveu em uma publicação no X: “A situação em Ceuta é desesperadora. O governo não pode ignorar o problema pois estamos diante de uma crise de segurança nacional”.

Em uma publicação no X, Sánchez escreveu ter informado ao líder de Ceuta, Juan Jesús Vivas, que seu governo está “totalmente empenhado” em dar uma resposta imediata e preparar medidas para restaurar a normalidade o mais rápido possível. Ele não deu mais detalhes das possíveis ações.

Mais cedo, Vivas havia instado o governo nacional a declarar estado de emergência devido às chegadas em massa. Horas depois, o Ministério do Interior anunciou que as Forças Armadas enviarão 60 militares para reforçar a polícia local.

No início deste mês, a Suprema Corte da Espanha decidiu que migrantes interceptados no mar enquanto tentavam chegar a Ceuta ou Melilla não podem ser devolvidos sumariamente sob o regime especial de rejeição na fronteira vigente nesses enclaves.

“Havia um fluxo lento desde a decisão da Suprema Corte, mas hoje houve uma explosão”, disse o porta-voz da Guarda Civil à Reuters.

O governo prometeu deportar imediatamente aqueles que entrassem ilegalmente, atribuindo a redes de tráfico de pessoas a exploração da decisão da Suprema Corte para incentivar a migração sem documentos. O Ministério do Interior do Marrocos não respondeu imediatamente a um pedido de comentário.

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