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Morte do repórter Caíque Verli: quando uma crise convulsiva pode ser fatal?

Ler Resumo Introdução A Polícia Civil do Espírito Santo investiga a morte do repórter Caíque Verli, da TV Gazeta, em Vitória. A principal linha de investigação sugere causas de saúde, em decorrência do histórico do jornalista com crises convulsivas e do tratamento que realizava. Detalhes sobre a apuração inicial do caso. Morte do repórter Caíque […]

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O repórter Caíque Verli, da TV Gazeta, foi encontrado morto nesta quinta-feira, 23, em seu apartamento, em Vitória, Espírito Santo.

O jovem tinha 33 anos e, segundo a Polícia Civil, a morte pode estar relacionada a questões de saúde. A corporação investiga se o óbito teve ligação com uma crise convulsiva. O laudo do Instituto Médico Legal (IML) deve confirmar a causa nos próximos dias.

De acordo com pessoas próximas ouvidas pela imprensa, Verli convivia com episódios de convulsão. Além disso, nos últimos meses, ele havia intensificado o acompanhamento médico, com exames e uso contínuo de medicamentos para controlar as crises.

O que é uma crise convulsiva?

“Convulsão” ou “crise convulsiva” é como é popularmente chamada uma crise epiléptica.

Essa palavra, por sua vez, vem do grego e tem significado traduzido como “algo que vem de cima e abate as pessoas” (epi=de cima e lepsem=abater).  

É possível que a nomenclatura advenha do fato de que, em sua origem, as crises epilépticas tenham sido lidas com um caráter místico e religioso.

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Mas há uma explicação fisiológica para elas: trata-se de uma ocorrência que acontece quando há uma descarga elétrica anormal no cérebro, interrompendo temporariamente o seu funcionamento padrão.

“De forma didática, a crise acontece por uma desorganização cerebral”, resume Anna Letícia Moraes, neurologista do Hospital Samaritano Higienópolis.

Em geral, a convulsão pode causar rigidez muscular repentina, sensações anormais, tremores, movimentos e contrações involuntárias e perda de consciência.

As origens para isso, porém, podem ser variadas. No entanto, costumam estar relacionadas a questões cerebrais, como doenças, malformações, acidente vascular cerebral (AVC), tumores, traumas, infecções (como meningite) e distúrbios metabólicos, como diabetes.

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“Imagina que estivéssemos falando sobre uma dor de cabeça. Ela pode ser causada por vários coisas: enxaqueca, tumores, dengue, pancadas… Com a crise epiléptica o raciocínio é o mesmo”, exemplifica Moraes.

Quando as crises são frequentes, o paciente costuma ser diagnosticado com epilepsia (ou transtorno epiléptico), doença neurológica crônica, caracterizada pela recorrência de convulsões.

Quando uma crise convulsiva pode ser fatal?

Uma crise epiléptica pode provocar vários sintomas neurológicos. 

“Por exemplo, os movimentos involuntários podem ocorrer exclusivamente no braço ou de um lado só do corpo ou mesmo a crise pode ser algo que se manifesta na forma de um sentimento anormal”, diz Moraes.

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A convulsão, então, é o extremo. “É a forma mais intensa de manifestação de um ‘curto-circuito’ no cérebro e que acomete o órgão inteiro”, explica a médica.

Durante uma crise forte, é possível, por exemplo, que a área cerebral responsável pela respiração seja afetada, bem como os batimentos cardíacos reduzidos, favorecendo uma parada cardiorrespiratória.

“Então, todas as vezes que alguém que é epilético tem uma crise convulsiva, há risco de vida. Esse risco é pequeno, mas existe”, alerta a neurologista.

As chances, de fato, são pequenas, entre 1 a 6%. Ainda assim, a falta de controle da condição pode ser fatal.

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Como é feito o tratamento?

De acordo com Letícia Pereira de Brito Sampaio, neurologista infantil e presidente da Liga Brasileira de Epilepsia, os medicamentos anticonvulsivantes são a primeira linha de tratamento e controlam entre 60% e 70% dos casos.

Existem várias classes, e a escolha depende do tipo de crise, idade, sexo e outras condições do paciente.

“Além disso, quando os remédios não são suficientes, existem outras abordagens, como cirurgia pararemoção da área cerebral responsável pelas crises, indicada quando há um foco bem localizado, estimulação do nervo vago e neuroestimulação responsiva”, indica Sampaio.

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