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“OS DOIS MENTEM”: Marcelo Ramos diz que Wilson Lima e Alberto Neto disputam quem é o “dono da mentira” sobre a água no interior do Amazonas

A disputa por uma obra que ninguém fez sozinha virou briga de palanque — e terminou com um terceiro candidato dizendo, em voz alta, o que os dois escondem. O ex-deputado federal Marcelo Ramos (PT) afirmou que os candidatos ao Senado pelo Amazonas, o ex-governador Wilson Lima (UB) e o deputado federal Capitão Alberto Neto […]

A disputa por uma obra que ninguém fez sozinha virou briga de palanque — e terminou com um terceiro candidato dizendo, em voz alta, o que os dois escondem. O ex-deputado federal Marcelo Ramos (PT) afirmou que os candidatos ao Senado pelo Amazonas, o ex-governador Wilson Lima (UB) e o deputado federal Capitão Alberto Neto (PL), disputam quem é o “dono da mentira” ao falar sobre programas de abastecimento de água no interior do estado.

A declaração ocorreu após os dois políticos divulgarem vídeos sobre iniciativas voltadas à instalação de sistemas de água em comunidades do Amazonas.

O que cada um publicou

Alberto Neto anunciou um programa chamado “Água Pronta pra Beber”, em vídeo nas redes sociais, afirmando que pretende desenvolver um programa de abastecimento de água em parceria com prefeitos do interior:

“Desenvolvi lado a lado com os prefeitos do interior um programa Água Pronta pra Beber. Vamos enviar emendas direto para os municípios construírem o seu sistema.”

Wilson Lima reagiu ao vídeo e afirmou que a proposta já havia sido colocada em prática durante sua gestão:

“É tanto que já colocamos em prática. Criamos o Água Boa e montamos 838 microssistemas de abastecimento de água em comunidades e 60 cidades do interior.”

O que Marcelo Ramos respondeu

O petista rebateu os dois, sem escolher lado:

“Os dois mentem. Alberto Neto diz que vai fazer um programa que já existe. E o Wilson diz que vai fazer um programa que, na verdade, quem fez foi o Lula e só mudou o nome.”

Segundo Marcelo, os sistemas de abastecimento instalados em comunidades rurais do Amazonas foram realizados por meio do programa Água Para Todos, do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), e posteriormente tiveram o nome alterado para Água Boa durante a gestão de Wilson Lima.

A conta dos recursos

E aqui está o dado mais concreto da polêmica, trazido pelo próprio ex-deputado:

“O governo do estado entrou com R$ 8 milhões. E o governo do presidente Lula entrou com R$ 80 milhões. Na verdade quem está preocupado em colocar água para as comunidades rurais é o presidente Lula.”

Vale fazer a conta em voz alta: R$ 8 milhões de origem estadual contra R$ 80 milhões de origem federaluma proporção de dez para um. Se esse número se sustenta, então a disputa entre Wilson Lima e Alberto Neto não é sobre quem fez mais: é sobre quem está tentando se apropriar de um programa que, na maior parte, foi pago com dinheiro que não é do estado.

Onde a crítica foi feita

Marcelo Ramos fez as declarações durante uma agenda em Codajás, no interior do Amazonas. No vídeo, ele afirmou que o município possui cinco ações relacionadas ao abastecimento de água, todas financiadas, segundo ele, pelo governo do presidente Lula:

“Eu estou aqui em Codajás. Aqui mesmo tem cinco ações nesse sentido e as cinco financiadas com o governo do presidente Lula.”

A conta final: dois candidatos ao Senado brigando pela paternidade de microssistemas de águaum dizendo que vai criar um programa que já existe, outro dizendo que criou um programa que, segundo o adversário, veio de Brasília com outro nome. No meio, um terceiro candidato afirma o que interessa ao eleitor: R$ 8 milhões de um lado, R$ 80 milhões do outro. Água no interior do Amazonas não é assunto de autoria, é assunto de torneira seca — e quem briga por crédito em vídeo de rede social deveria explicar por que, se o dinheiro veio quase todo de Brasília, a obra aparece no palanque como conquista pessoal. Nesse duelo, os dois podem até ter razão em algo — mas quem perde é quem mora na comunidade e ainda espera o tubo chegar.

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