Quando as pessoas viram mídia, emissor, meio e mensagem passam a ser a mesma coisa. E, num contexto em que todo mundo é mídia — ou em que tanta gente se percebe assim —, em que espaço a mensagem, de fato, se forma?
Das mídias de massa para as massas como mídia
Isso é importante para que seja possível fazer essa distinção. Se na era pré-digital a realidade de comunicação era majoritariamente de veículos de massa (a TV, o rádio e mesmo os jornais existiam sob um formato de transmissão), seguindo a lógica de “um para muitos”, no estágio atual em que dispositivos são extensão de nossos corpos e indivíduos se tornam meios, vivemos em uma lógica de “todos para todos”.
Se por um lado o surgimento da web permitiu a democratização na distribuição de informação ao descentralizar o processo e libertar a leitura de posições de quem controlava a difusão, a extrapolação disso deixa essa difusão tão fragmentada que fica difícil distinguir o que é de fato relevante e original do que é, para arrepio do Harold Lasswell, apenas ruído.
Nesse ambiente, fica reduzido e pouco percebido o valor da mídia profissional. O jornalismo, o entretenimento e a produção cultural em diferentes formatos e linguagens são fundamentos de construção de uma sociedade; ainda que precisassem de adaptações à medida que os canais de consumo mudavam, não deixaram de ter valor pela natureza do que representam.
A revisão do argumento de McLuhan nos arrasta para um momento ainda mais crítico deste processo: pessoas se percebendo como agentes de informação, mas cuja informação são elas mesmas. A mensagem se limita ao que fazem, o que são, como estão. É a própria performance, alheia às ideias e centrada no corpo. O conteúdo, no fim, é a pessoa. Isso é uma mudança que extrapola o formato e altera a natureza da linguagem em si.
