A China incluiu as interfaces cérebro-máquina como prioridade no 15º plano quinquenal, que define as prioridades econômicas do país para os próximos cinco anos. Equipamentos desse tipo captam ou estimulam sinais cerebrais para conectá-los a equipamentos que ajudem pessoas paralisadas a reaver os movimentos.
A interface cérebro-máquina passou a ser uma prioridade de saúde pública. E é curioso falar isso, porque o maior sistema público de saúde do mundo, por incrível que pareça, é o brasileiro. E o governo brasileiro não tem a menor vocação e interesse de usar a interface cérebro-máquina no país.
Miguel Nicolelis
Ao falar de um projeto feito em parceria com um hospital de neurologia de Pequim, Nicolelis descreve um estudo clínico com 19 pacientes na China, somado a casos no Brasil, que chegou a 26 participantes. Ele afirma que, pela primeira vez na área, houve grupo controle e comparação com fisioterapia convencional.
E, pela primeira vez na área de interface cérebro-máquina, nós tivemos um grupo controle onde fizeram a fisioterapia normal dos pacientes e um grupo experimental. E, quando terminou os nove meses do estudo, cinco pacientes do grupo controle, que não tinham tido melhora alguma em comparação ao grupo experimental, onde a melhora clínica foi estatisticamente significativa, as pessoas [passaram pelo experimento e] voltaram a andar.
Miguel Nicolelis
O ponto mais marcante, segundo ele, veio quando a equipe levou uma das pacientes para andar fora do laboratório. A jovem chegou de cadeira de rodas a uma praça cheia para depois se levantar e caminhar, um momento que parou quem passava, diz ele.
Foi uma das coisas mais emocionantes, porque ela chegou na cadeira de rodas, uma moça de uns 20 e poucos anos. Ninguém deu bola. De repente, a gente pôs o carrinho, esses andadores de idoso, na frente dela, sem exoesqueleto, sem nada. A menina levanta e começa a andar. Parou a praça inteira. Ela foi andando cem metros, até a entrada do templo. É uma das cenas mais emocionantes.
Miguel Nicolelis
