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Moraes foi mais longe que Mendonça quando interferiu no comando da PF

A decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça de afastar o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, nesta terça-feira (8), provocou acusações de interferência indevida do Judiciário numa atribuição do presidente da República. A Advocacia-Geral da União (AGU) anunciou recurso sob o argumento de que Mendonça violou uma competência da Presidência, enquanto […]

A decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça de afastar o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, nesta terça-feira (8), provocou acusações de interferência indevida do Judiciário numa atribuição do presidente da República. A Advocacia-Geral da União (AGU) anunciou recurso sob o argumento de que Mendonça violou uma competência da Presidência, enquanto juristas com viés pró-sistema classificaram a decisão como inconstitucional.

O discurso contrasta, porém, com a frágil reação a uma intervenção ainda mais clara de Alexandre de Moraes na mesma Polícia Federal. Em abril de 2020, Moraes impediu que Alexandre Ramagem, escolhido pelo então presidente Jair Bolsonaro, sequer assumisse o comando da corporação, suspendendo sua nomeação antes que o delegado praticasse qualquer ato no cargo.

Ramagem havia sido nomeado por Jair Bolsonaro por decreto e tomaria posse no dia 29 de abril de 2020. Antes da cerimônia, porém, Moraes concedeu sozinho uma liminar em mandado de segurança apresentado pelo PDT e suspendeu a nomeação. Ramagem era então diretor-geral da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) e nunca chegou a exercer a chefia da PF.

Moraes não fundamentou a intervenção em uma irregularidade cometida por Ramagem no exercício do cargo, já que o exercício ainda nem havia começado. O ministro considerou “viável a ocorrência de desvio de finalidade” na escolha feita por Bolsonaro, alegando possível violação dos princípios da impessoalidade, moralidade e interesse público. A decisão veio na esteira das acusações do ex-juiz Sergio Moro de que Bolsonaro pretendia interferir politicamente na PF e obter informações da corporação.