Para Laabar, um motorista de caminhão de 35 anos que mora na cidade de Salaunes, as cenas apocalípticas que passaram a marcar o verão escaldante de 2026 na França ofereceram um vislumbre preocupante dos anos que estão por vir.
“Veremos isso com mais frequência no futuro, isso é certo”, disse ele à Reuters em um centro de retirada improvisado em Bordeaux, onde centenas de pessoas passaram a noite de sexta-feira.
As autoridades já evacuaram 197 mil pessoas do sudoeste da França até o momento, depois que os incêndios cercaram a península de Cap Ferret, na costa atlântica, um importante destino turístico no auge da temporada de verão.
O presidente francês, Emmanuel Macron, mobilizou as Forças Armadas para apoiar os bombeiros exaustos que lutam contra uma série catastrófica de incêndios em todo o país, após uma onda de calor recorde que resultou em quase 6.000 mortes a mais do que o normal.
Entre as pessoas reunidas no centro de retirada em Bordeaux na sexta-feira, havia descrença, decepção e medo do futuro, enquanto aguardavam, sem saber por quanto tempo ficariam retidas no refúgio.
Sentada ao lado do marido e dos dois netos, Bernadette, de 71 anos, se preocupava com sua casa em Lège-Cap-Ferret, de onde foi retirada no meio da noite de quarta-feira com “muito pouco tempo para sair”.
