A mulher também disse que, durante uma discussão recente em que pediu a separação do PM, ele a segurou pelo braço, provocando hematoma. Depois, ele foi até um dos quartos da residência da família, onde guardava sua arma institucional. Ele não afirmou que iria usar o armamento, porém, querendo proteger sua integridade física, a mulher deixou a residência às pressas e pediu na portaria que a Polícia Militar fosse acionada. A mulher manifestou interesse na concessão de medidas protetivas de urgência contra o companheiro.
Além de Bruno, o PM Guilherme Augusto Macedo também é réu pelo crime. Na decisão de hoje, obtida pelo UOL, a juíza Luiza Torggler Silva, da 4ª Vara do Júri, apontou que Bruno prestou auxílio moral e material a Guilherme, já que se aproximou do estudante de medicina, o agrediu com um “violento chute” e, na sequência, a vítima foi atingida no abdômen pelo disparo efetuado por seu colega de farda. Ambos serão levados a júri popular, ainda sem data para ocorrer, e respondem em liberdade por homicídio qualificado.
O Ministério Público concordou com a solicitação da família. “A suposta reiteração de condutas violentas durante a tramitação da ação penal constitui elemento concreto apto a evidenciar a periculosidade do agente e o risco de reiteração delitiva, circunstâncias reconhecidamente idôneas para fundamentar a prisão preventiva como garantia da ordem pública”, disse Pedro de Arruda Padoveze.
Juíza disse que a prisão de Bruno visa garantir a ordem pública e é necessária à instrução criminal. “Extraem-se dos documentos colhidos durante a instrução que a vítima fatal foi lesionada e alvejada por disparos de arma de fogo em contexto de intervenção policial, e sobreveio informação de práticas delitivas do corréu Bruno contra sua própria esposa, fatores que revelam a inegável reprovabilidade da conduta, periculosidade social do agente e o risco gerado por seu estado atual de liberdade”, apontou Silva.
Bruno ainda não foi preso. A defesa do policial militar não foi localizada para pedido de posicionamento. O espaço segue aberto para manifestação.
Relembre o caso
Estudante de medicina Marco Aurélio Cardenas Acosta foi baleado pelo policial militar com tiro à queima-roupa. O caso ocorreu em um hotel na zona sul de São Paulo, na madrugada do dia 20 de novembro de 2024.
