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Igualar injúria e racismo mina a livre expressão, diz Economist

A edição desta semana da revista britânica The Economist destaca a equiparação da injúria racial ao crime de racismo pela legislação brasileira como a “mais dura” regulação contra o discurso racista “do mundo”. A publicação pondera, no entanto, que a medida, mesmo com boas intenções, serviria mais para o Poder Judiciário se “sentir virtuoso” e […]

A edição desta semana da revista britânica The Economist destaca a equiparação da injúria racial ao crime de racismo pela legislação brasileira como a “mais dura” regulação contra o discurso racista “do mundo”. A publicação pondera, no entanto, que a medida, mesmo com boas intenções, serviria mais para o Poder Judiciário se “sentir virtuoso” e para corroer a liberdade de expressão do que para combater, de fato, o racismo.

A análise da revista parte do ponto que falas racistas “infelizmente não são raras nem uma novidade”. Cada vez mais, governos ao redor do mundo se movimentam para punir severamente o discurso de ódio e a xenofobia. Contudo, em nenhum lugar as leis se tornaram tão “agressivas” quanto no Brasil, onde a equiparação da injúria racial ao racismo ocorreu após entendimento do Supremo Tribunal Federal (STF) em 2021 e posterior alteração legislativa sancionada em 2023 que igualou o discurso e a discriminação.

A mudança “turbinou” ações judiciais, multiplicando por uma razão de dez, anualmente, os casos de processos por racismo no país. Mais de mil pessoas cumprem pena pelo crime, sendo mais de 300 em regime fechado, outras 300 em progressão de pena e o restante em prestação de serviços à comunidade. A revista cita ainda o caso de turistas, como a argentina que passou meses presa no Rio de Janeiro por desconhecer o rigor das leis brasileiras contra manifestações racistas e imitar um macaco para atendentes de uma lanchonete.