Se as mulheres são tão importantes, por que várias delas não foram convidadas a falar sobre política? Por que só há homens candidatos ao Senado nesse grupo político em São Paulo?
Flávio enfrenta uma rejeição muito maior que a de Lula entre o público feminino, mas parece não entender a razão. Disse ele ontem:
“Não dá para compreender como é que as pesquisas mostram, por exemplo, que as mulheres estão votando mais lá [Lula] do que aqui. As pautas das mulheres são as pautas que nós defendemos. E é uma briga que a gente tem na direita isso, né? Porque parece que quem defende as mulheres está defendendo a pauta errada”, disse, inconformado.
O fato de as mulheres terem um papel secundário, sendo objeto de discurso e não fonte dele, talvez ajude a explicar ao senador a situação.
Mesmo com a presença de nomes fortes da direita na política no evento, como a senadora Damares Alves, que foi ministra do governo Bolsonaro junto de Tarcísio, e a presidente do Podemos, Renata Abreu, foi delegado a elas mais o papel de espectadoras do que de protagonistas.
A convenção reforçou exatamente aquilo que tentava negar. As mulheres foram lembradas, elogiadas, homenageadas e agradecidas. Mas, na hora de distribuir o microfone, formular estratégias, ocupar o centro do palco e projetar o futuro do grupo político, quem falou, decidiu e apareceu foram, mais uma vez, os homens.
