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Conheça diferentes modalidades de ioga – 02/08/2026 – Equilíbrio

Aos 29 anos, o engenheiro Matheus Borges já experimentou diferentes modalidades de ioga até encontrar uma com a qual se identificasse mais. A primeira experiência, em 2018, na lagoa Rodrigo de Freitas, no Rio de Janeiro, não o convenceu. “Sou uma pessoa ansiosa. Não senti que era para mim”, diz. No ano passado, já morando […]

Aos 29 anos, o engenheiro Matheus Borges já experimentou diferentes modalidades de ioga até encontrar uma com a qual se identificasse mais. A primeira experiência, em 2018, na lagoa Rodrigo de Freitas, no Rio de Janeiro, não o convenceu. “Sou uma pessoa ansiosa. Não senti que era para mim”, diz.

No ano passado, já morando em São Paulo, ele deu mais uma oportunidade para a atividade. Desta vez, tentou a hot ioga, modalidade praticada numa sala aquecida entre 32°C e 40°C. “Voltei a fazer e de fato peguei gosto. Vou umas três vezes por semana. É uma oportunidade de desligar da correria, do trabalho e do caos de São Paulo.”

Esther Bruno, instrutora de ioga desde 2017, diz que hoje as modalidades podem variar bastante. Há práticas mais intensas ou relaxantes, com diferentes tempos de permanência, temperaturas, acessórios e objetivos. “Não importa qual é a sua porta de entrada, o que importa é que você comece.”

A ioga tem raízes antigas na Índia, entre os séculos 5 e 3 a.C., e se desenvolveu em diferentes tradições religiosas e filosóficas.

Como prática física, é muito mais recente. A partir do século 20, diferentes professores passaram a adaptar a atividade e criar métodos voltados a públicos e objetivos distintos. Hoje, é considerada uma “meditação ativa”.

“Os métodos surgem para se adaptar ao perfil e às necessidades contemporâneas do praticante. Vamos criando ferramentas diferentes para tornar a ioga cada vez mais adaptativa, cada vez mais possível”, afirma Esther.

Apesar de algumas práticas priorizarem a força e outras o relaxamento, todas combinam posturas físicas (asanas), técnicas de respiração (pranayamas) e meditação. A palavra vem do sânscrito “yuj” e está ligada à ideia de unir ou juntar, em referência à integração entre corpo e mente.

Fabrício Buzatto, professor da Afya Vitória e médico do esporte, afirma que a prática pode aumentar a flexibilidade e a amplitude articular, melhorar o equilíbrio e contribuir para o fortalecimento muscular e a consciência corporal.

“Faz uma grande diferença na capacidade funcional, na coordenação motora e na qualidade de vida, principalmente entre pessoas sedentárias de meia-idade e idosos”, diz.

Já na saúde mental, Raphael Granucci Pequeno, psicólogo clínico, afirma que pesquisas encontraram efeitos positivos na redução de sintomas de estresse, ansiedade e na melhora da percepção de bem-estar em pessoas que praticam ioga regularmente.

“É uma atividade que muda a forma como as pessoas se relacionam com o próprio corpo, com as emoções, com o ambiente e com a própria cultura. Isso pode ampliar a capacidade de autorregulação e de enfrentamento de situações estressantes”, diz.

O empreendedor Arthur Norgren, 42, entrou para a ioga há cinco anos. “É uma parte importante da minha vida, tanto para controlar a ansiedade quanto para o meu corpo. Analiso a minha consciência de uma forma melhor e sinto dores melhores também.”

Conheça algumas modalidades.

Hot ioga

A hot ioga é um termo guarda-chuva para qualquer estilo de ioga praticado em sala aquecida. A temperatura costuma variar entre 32°C e 40°C.

O método é uma variação da Bikram ioga, criada na década de 1970, com uma sequência fixa de 26 posturas e duas respirações. Mas, diferentemente da Bikram, a hot ioga é flexível. Isso porque o professor pode adaptar ritmo, sequência e intensidade conforme o grupo.

A aula tem cerca de 55 minutos e inclui meditação inicial, mobilidade articular, uma sequência mais fluida e relaxamento final.

Quando experimentou a hot ioga pela primeira vez, Matheus diz que detestou, teve “um pavor” e “quase sucumbiu”.

“Agora sinto que é uma das melhores formas de praticar porque é um desafio a mais o calor ali dentro da sala. Consigo explorar o corpo e alcançar talvez formas e poses que a musculação jamais vai me fazer acessar”, afirma.

Andreia Braga, gerente de produto do Vidya Studio, explica que o calor exige atenção. Segundo ela, a hot ioga não é indicada para gestantes, pessoas com glaucoma, hipertensão não controlada, problemas cardíacos e pessoas mais velhas e sedentárias.

“Para uma pessoa que não está acostumada com atividade física, eu recomendaria começar com uma prática mais leve, como hatha ou yin ioga, e avançar aos poucos. Mas não dá para dizer que ela não deve fazer hot ioga, porque isso depende muito de cada pessoa. É sempre possível encontrar a sua modalidade”, diz.

Ioga Force Flow

O Force Flow é uma metodologia criada por Esther Bruno e sua sócia, Thais Girotto. A proposta combina posturas de ioga com pesos de 500 gramas a 2 kg nos punhos e calcanhares, ou halteres, para aumentar a resistência muscular.

“A gente sabe que muita gente não gosta de musculação, mas desenvolver a musculatura é importante para envelhecer com qualidade de vida e autonomia. Por isso, criamos uma prática que trabalha a força interna e também contribui para o desenvolvimento muscular”, explica Esther.

A administradora Cristiane Loize Pisano, 51, faz parte do grupo que não gosta de levantar peso em academia. “No climatério e na menopausa, a gente perde muito músculo, e poder trabalhar isso em uma prática de ioga é incrível.”

Cristiane e o marido, Diego Pisano, praticam ioga juntos há sete anos. Para ele, flexibilidade, estabilidade e mente mudaram complemente. “Nosso estresse hoje é totalmente diferente do que era quando a gente começou a fazer, tanto por causa da ioga quanto por outras práticas que vieram”, afirma.

Naked Ioga

A naked ioga mantém posturas e exercícios de respiração da ioga, mas sem roupas. Alguns locais em São Paulo, como o Estúdio Nu e a Casa Nua, oferecem a prática coletiva.

A influenciadora digital Emelly Souza, 24, pratica a modalidade ao ar livre e diz que a ausência de roupas permite observar melhor o corpo.

“Sem roupas você tem mais liberdade nos movimentos. É um momento para se conectar consigo mesmo, um momento de autoaceitação, de amor-próprio”, diz.

Vinyasa

Se concentra na sincronização dos movimentos com a respiração. A palavra vem do sânscrito e significa “colocar em ordem de forma adequada”.

Caracteriza-se por sequências fluidas, em que cada postura está conectada à seguinte. É mais dinâmico e vigoroso, com sequências de saudações ao sol.

Hatha Ioga

O hatha ioga é frequentemente associado a uma prática em que as posturas são mantidas por mais tempo do que em sequências de fluxo. A permanência permite que o professor observe o aluno e faça ajustes de alinhamento, segundo Andreia, do Vidya Studio.

O professor pode oferecer variações de uma mesma postura, permitindo que alunos com diferentes níveis de experiência participem da aula.

É indicado para quem prefere um ritmo mais lento e contemplativo e para iniciantes que querem começar de forma gradual. Também pode ser uma opção para quem busca combinar trabalho de força e consciência corporal com momentos de relaxamento.

Ashtanga

É uma prática que se concentra em seis séries fixas de posturas físicas, combinadas com técnicas de respiração e meditação. O aprendizado de uma série completa pode levar de um a três anos.

Pode ser uma opção para pessoas que gostam de repetição e ritual, de uma prática estruturada e buscam progressão ao longo do tempo. Por ser uma modalidade fisicamente exigente, tende a se adequar melhor para quem já tem algum condicionamento físico.

“É uma prática que exige muita disciplina. As pessoas costumam dizer que deve ser praticada antes do nascer do sol e que dura em média duas horas, duas horas e meia”, diz Andreia.

Yin Ioga

É um estilo mais introspectivo que envolve a permanência em posturas sentadas ou deitadas entre 3 a 8 minutos, com apoio de acessórios como almofadas, blocos e cobertores. É comum sentir uma sensação de formigamento.

Segundo Andreia, esse desconforto exige atenção à respiração e à própria reação mental. A ideia é observar a sensação sem abandonar imediatamente a postura, e tentar se puxar para ir além.

Ioga restaurativa

Tem como foco o relaxamento e a recuperação. São usados acessórios para sustentar o corpo e permitir que o praticante permaneça em posições confortáveis por mais tempo.

Em uma das posições, por exemplo, o aluno pode ficar deitado sobre uma almofada enquanto recebe outros apoios para facilitar o relaxamento.

Outras modalidades

  • Kundalini: combina posturas, exercícios de respiração, mantras, meditação e movimentos repetitivos. A prática busca trabalhar a atenção e a chamada energia kundalini.
  • Ioga com props: utiliza acessórios como blocos, cintos, mantas, cadeiras e almofadas para facilitar, adaptar ou aprofundar as posturas. É especialmente associado ao método Iyengar.
  • Ioga Nidra: é uma prática de relaxamento guiado, geralmente feita deitada. O praticante permanece imóvel enquanto acompanha instruções de respiração, atenção e visualização.
  • Acroioga: combina elementos da ioga com movimentos acrobáticos e é geralmente praticado em dupla ou grupo. Exige coordenação, equilíbrio, força e comunicação entre os participantes.

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