Foi aprovado na Europa o implante PRIMA, primeiro tratamento capaz de restaurar (ao menos parcialmente) a visão de pessoas com degeneração macular relacionada à idade (DMRI), que é a maior causa de cegueira no Brasil e no mundo.
O sistema, desenvolvido pela empresa Science Corp., é baseado em um chip de apenas 2 milímetros, implantado na retina por meio de uma pequena cirurgia.
Ele funciona junto com óculos especiais equipados com câmera, sem necessidade de fios: os óculos captam a luz do ambiente e transmitem a informação ao chip, que assume o papel da mácula, região central da retina responsável pela visão de detalhes. Com a engenhoca, o cérebro volta a processar imagens.
A DMRI avança com o envelhecimento e tem como principais sintomas justamente a perda da visão central, com distorção de linhas retas, surgimento de manchas ou espaços vazios no centro do olho, além da dificuldade para ler, reconhecer rostos e cores. Até então, não existiam tratamentos capazes de reverter esse dano.
Veja a diferença na visão com o implante:

O estudo que levou à aprovação
A aprovação europeia se apoia em um estudo publicado no New England Journal of Medicine, um dos periódicos médicos mais respeitados do mundo. A pesquisa acompanhou 38 pacientes com atrofia geográfica — a pior complicação da DMRI, que pode levar à cegueira parcial ou total — ao longo de um ano.
Os participantes, que não haviam perdido a visão por completo, passaram por exames oftalmológicos convencionais, incluindo os testes de leitura de sequências de letras usados em consultórios. O grupo apresentou uma melhora expressiva na capacidade de captar letras e outros detalhes do cotidiano.
Segundo os dados que embasaram a aprovação, o implante permitiu, em média, o reconhecimento de 25 letras a mais nas tabelas oftalmológicas usadas para medir acuidade visual. Oito em cada dez pacientes tiveram ganhos significativos de visão, sem prejuízo do que restava de visão natural.
No total, 84% dos voluntários passaram a conseguir ler letras, números e palavras após o implante — ou seja, alcançaram a recuperação da chamada visão central funcional, a mesma que é destruída pela doença. O dispositivo não devolve imagens de alta resolução, mas representa uma mudança relevante no dia a dia de quem dependia de apoio constante para tarefas simples.
Por enquanto, o PRIMA está sob análise da FDA, agência regulatória americana, e ainda não tem data prevista para chegar ao Brasil.
