Nova rodada da pesquisa Nexus/BTG, divulgada nesta segunda-feira (27), aponta que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) lidera as intenções de voto no primeiro turno com 42%, seguido por Flávio Bolsonaro (PL-RJ), com 33%. No segundo turno, o cenário se torna mais competitivo: Lula aparece em empate técnico com três pré-candidatos da direita. O CEO da Nexus, Marcelo Tokarski, comentou o tema ao Hora H.
Tokarski analisou os dados e destacou os principais desafios da corrida presidencial de 2026, apontando a abstenção eleitoral, a rejeição dos candidatos e o impacto do tarifaço americano como fatores centrais do pleito. Segundo o CEO, essa é uma corrida de “todos contra o presidente Lula”.
Cenários de segundo turno mostram disputa acirrada
A pesquisa simulou confrontos diretos entre Lula e diferentes pré-candidatos. Contra Flávio Bolsonaro, o resultado é de 47% a 43%, dentro da margem de erro de dois pontos percentuais.
Já no duelo com Ronaldo Caiado (PSD), o placar é de 45% a 43%, também em empate técnico. Contra Romeu Zema (Novo), Lula aparece com 46% ante 42% do adversário. O levantamento ouviu 2.004 eleitores de todo o país entre os dias 24 e 26 de julho, com nível de confiança de 95%, e está registrado no TSE (Tribunal Superior Eleitoral).
Tokarski chamou atenção para o desempenho de Caiado nos cenários de segundo turno.
“Hoje, o Ronaldo Caiado é o candidato que melhor performa”, afirmou. No entanto, o analista ressaltou que o pré-candidato enfrenta um obstáculo considerável: no primeiro turno, ele aparece com apenas 6% das intenções de voto, muito abaixo dos 33% de Flávio Bolsonaro.
“Ele tem menos de um quinto dos votos do Flávio Bolsonaro”, destacou Tokarski, traçando um paralelo com a campanha de Ciro Gomes em 2022, que também liderava cenários de segundo turno sem ter votos suficientes para chegar lá.
Abstenção e engajamento como fatores decisivos
Questionado sobre a diferença entre os resultados das pesquisas e o desempenho nas urnas — fenômeno observado em 2022 —, Tokarski explicou que o eleitor de baixa renda, base tradicional de Lula, é o que mais costuma se abster no dia da votação.
“Na última eleição, 20,9% das pessoas não foram votar”, lembrou. “O que aconteceu foi que mais eleitores que declaravam a intenção de votar em Lula deixaram de votar e, portanto, ele teve um desempenho na urna um pouco abaixo”, disse o CEO.
Para Tokarski, o principal desafio da campanha do atual mandatário será engajar esse eleitorado. “A eleição no Brasil tem um componente de paixão. A gente vê isso com o lulismo e com o bolsonarismo — tem que despertar a emoção do eleitorado”, disse.
Segundo ele, os candidatos da chamada terceira via ainda não conseguiram despertar esse engajamento, embora a campanha oficial só comece em 16 de agosto.
Rejeição e avaliação de governo
A pesquisa também mediu o potencial de rejeição dos candidatos. Lula registra 48% de rejeição, enquanto Flávio Bolsonaro chega a 50%. Já os candidatos da terceira via apresentam índices menores: Renan Santos (Missão) com 27%, Ronaldo Caiado com 29% e Romeu Zema com 32%.
Tokarski, porém, ponderou que esses candidatos ainda contam com alto desconhecimento por parte do eleitorado, o que pode tanto ampliar quanto reduzir sua rejeição ao longo da campanha.
Sobre a avaliação do governo, os dados mostram estabilidade: 43% classificam o desempenho como ruim ou péssimo, enquanto 36% o consideram ótimo ou bom. Na escala binária de aprovação, 47% aprovam e 49% desaprovam.
“Esse é o principal desafio da campanha do presidente Lula. Ele tem uma massa de pessoas insatisfeitas ou com o governo ou com a vida”, avaliou Tokarski. O analista apontou a economia como o principal território de disputa narrativa entre Lula e Flávio Bolsonaro nas próximas semanas.
Tarifaço divide o eleitorado
A pesquisa investigou ainda a percepção dos eleitores sobre o tarifaço imposto pelo governo americano. Na média geral, 53% dos entrevistados acreditam que a medida teve motivação política, com o objetivo de prejudicar Lula e interferir nas eleições brasileiras. Outros 32% entendem que se trata de uma decisão comercial e econômica.
No entanto, ao serem questionados sobre quem teria razão na disputa de narrativas entre Lula e Flávio Bolsonaro a respeito do tema, o eleitorado se dividiu igualmente: 41% concordam com a versão de Lula e 41% com a de Flávio.
“Na hora de avaliar se é política ou se é economia, as pessoas têm uma opinião mais pró-Lula. Mas quando vestem a camisa do seu candidato, uma parte muda de opinião e põe a culpa no outro lado”, concluiu Tokarski.
Para ele, esse comportamento explica por que as sucessivas disputas e crises pouco alteram as intenções de voto dos dois principais candidatos, a pouco mais de dois meses do primeiro turno.
