Canção para ninar menino grande é uma narrativa da escritora brasileira Conceição Evaristo. O livro faz parte da literatura contemporânea brasileira. Ele apresenta o universo feminino em contraposição ao mundo masculino, marcado pelo machismo e pela visão da mulher como objeto sexual.
O livro conta a história de Fio Jasmim e de suas amantes. Ele é casado com Pérola Maria, com quem tem filhos legítimos. E, no decorrer de sua existência, outras mulheres passam pela sua vida: Neide, Angelina, Aurora, Antonieta, Dolores, Dalva e Eleonora. Sua relação amorosa com Juventina dura décadas.
Leia também: Olhos d’água — livro de contos de Conceição Evaristo
Tópicos deste artigo
Resumo sobre Canção para ninar menino grande, de Conceição Evaristo
-
A obra coloca em evidência o universo masculino em contraposição ao universo feminino.
-
A narradora, ao final, sugere que Juventina e Eleonora possam ficar amorosamente juntas.
Análise da obra Canção para ninar menino grande

→ Personagens de Canção para ninar menino grande
-
Alda Jovelina: mãe de Tina.
-
Angelina Devaneia da Cruz: amante de Fio Jasmim.
-
Antonieta Véritas da Silva: amante de Fio Jasmim.
-
Antônio Pedro Miango: tio de Tina.
-
Aurora Correa Liberto: amante de Fio Jasmim.
-
Belizário dos Santos: avô de Dolores.
-
Dalva Amorato: amante de Fio Jasmim.
-
Dolores dos Santos: amante de Fio Jasmim.
-
Dona Celeste: ex-professora de Fio Jasmim.
-
Dona Ismênia: avó de Neide.
-
Dorinda da Cruz: mãe de Angelina.
-
Eleonora Distinta de Sá: amiga de Fio Jasmim.
-
Fio Jasmim: protagonista masculino.
-
Floripes: mãe de Neide.
-
Floripes Maria Perpétua: prima de Tina.
-
Fortunato: irmão de Francisco.
-
Francisco: pai de Neide.
-
Gabriel: um menino da cidade de Alma das Flores.
-
Hermengarda dos Santos: avó de Dolores.
-
Jazmizinho: filho de Antonieta Véritas da Silva.
-
Juventina (Tina Maria Perpétua): amante de Fio Jasmim.
-
Maria da Cruz dos Santos: mãe de Dolores.
-
Máximo Jasmim: pai de Fio Jasmim.
-
Narradora: amiga de Juventina.
-
Neide Paranhos da Silva: amante de Fio Jasmim.
-
Nina: namorada de Eleonora.
-
Pérola Maria: esposa de Fio Jasmim.
-
Prudência: tia de Aurora.
-
Setimazinha: irmã de Angelina.
-
Sô Damião: empregado de Dolores.
-
Vicentinho Coimbra: ex-marido de Dalva.
→ Tempo de Canção para ninar menino grande
A obra conta com um tempo cronológico, ou seja, a história é narrada de forma linear, apesar de haver saltos no tempo. Já a época em que se passa a história não é especificada pela narradora. Mas tudo indica que a trama transcorre na segunda metade do século XX e início do século XXI.
→ Espaço de Canção para ninar menino grande
A novela apresenta algumas cidades:
-
Chegada Feliz, onde mora Fio Jasmim;
-
Vale dos Laranjais, onde mora Neide Paranhos;
-
Alma das Flores, onde mora Angelina Devaneia da Cruz;
-
Vila Azul, onde mora Aurora Correa Liberto;
-
Remanso Velho, onde mora Antonieta Véritas da Silva;
-
Ardência Antiga, onde mora Dolores dos Santos;
-
Águas Infindas e Dias Felizes, lugares onde morou Dalva Amorato.
→ Narrador de Canção para ninar menino grande
A obra apresenta narrador-personagem, especificamente uma narradora que participa da história, pois ela é uma das amigas da protagonista Juventina. No entanto, em grande parte do livro, essa narradora também assume um lugar de onisciência, capaz de saber detalhes da história e do universo íntimo dos personagens. Portanto, temos narrador-personagem e, na maior parte da obra, narrador onisciente.
→ Enredo de Canção para ninar menino grande

Juventina sente uma forte dor no peito e é amparada pelas amigas. Ela possuía “uma voz cálida de tons diversos” e, recuperada, canta para as amigas a “Canção para ninar menino grande”. Mais tarde ela conta para a narradora que a dor que sente é: “Dor de amor, ela me contou mais tarde. Não que estivesse apaixonada. Não, não mais. Não mais. Agora ela só era Juventina. Paixões eram do tempo em que ela era Tina. Agora, só lembranças do que fora a Tina”.
Juventina escreve quase sempre para seu amado Fio Jasmim. Ele tem 44 anos, é casado com Pérola Maria desde os 20 anos. Ele teve outros relacionamentos, e a narradora aponta uma possível diferença entre homens e mulheres:
Parece que essas relações ficaram como se nunca tivessem existido para ele. Mas quem sabe, talvez, algumas dessas lembranças desses encontros estivessem conservadas em algum vão de sua memória. Entretanto, como partículas tão pequenas, como imagens tão diluídas, que ele poderia afirmar a inexistência delas.
Mas, para as mulheres, o contrário se dava. Nós, às vezes, nos embrenhamos de tal forma nas recordações do passado, que o já acontecido se levanta das vias da memória e se corporifica no presente. Foi o que se deu com Neide Paranhos da Silva. Ela fez da breve presença de Fio Jasmim em sua vida uma sólida e palpável lembrança.
Neide Paranhos da Silva tinha 19 anos quando, na cidade de Vale dos Laranjais, conheceu Fio Jasmim (ajudante de maquinista), o qual estava com quase 20 anos e prestes a se casar com Pérola. Fio, assim como o pai Máximo, acreditava “que o homem, o macho, nada tinha a perder”, quando o assunto era relacionamento amoroso ou sexual. Ele se interessou por Neide:
Os pezinhos pareciam os da Cinderela — pensou Fio Jasmim —, de uma Cinderela negra. E ele, Príncipe Negro, na festa que haveria na casa dela, perto da estação, iria beijá-los e calçá-los… Tal ato significaria um pedido para fazer amor com ela; pedido de casamento não, pois já estava comprometido com Pérola Maria. Por um momento, o devaneio se desfez, mas uma recordação da infância insistia entre outros pensamentos.
A recordação da infância refere-se ao fato de, quando tinha oito anos de idade, sua professora Dona Celeste ter preferido um garoto louro para fazer papel de príncipe em vez de escolher Fio Jasmim. Agora, prestes a se casar com outra, Fio Jasmim mantinha um relacionamento com Neide até que:
Aquela estava sendo a sua última viagem à cidade do Vale dos Laranjais. Neide sabia. Desde a véspera, ele havia contado sobre a nova rota para a qual tinha sido designado. Cumpriria agora o veio do sul do estado, bem no extremo sul. Devido a essas circunstâncias, o namoro deles não seguiria adiante. Haviam chegado à estação final. E, quando Fio Jasmim esperou que Neide Paranhos da Silva se desmanchasse em lágrimas, ela pediu, entre a calma e um mal disfarçado desejo, que ele lhe fizesse um filho.
Não pense que Neide sofreu com a separação, ter um filho era uma escolha. O filho seria apenas dela, Neide nunca revelaria (além de à avó) o nome do pai de seu filho. Sua avó “não se espantou quando a neta lhe disse que gostava de Fio Jasmim, mas não queria se casar com o moço, mesmo que ele não tivesse compromisso com outra. Ela não queria ser esposa dele e nem de homem algum. De um homem, ela só queria um filho”.
Nesse ponto da obra, percebemos que ela trata dos relacionamentos amorosos de Fio Jasmim. Agora a narradora nos fala da solitária enfermeira Angelina Devaneia da Cruz, de 33 anos, que ele conheceu nas vésperas de seu casamento com Pérola. Angelina acabou se matando.
Aurora Correa Liberto, conhecida por se banhar no rio Naipã, é a próxima conquista de Fio Jasmim, na cidade de Vila Azul:
Aurora Correa Liberto, desde que se banhara com Fio Jasmim nas águas do Naipã, percebera que a correnteza não lhe trazia mais um apaziguamento completo. Uma quase dor, de uma quase saudade, passou a existir nela. Quando esse sentimento do quase bulia nos dias de Aurora, e algum visitante novo, ávido por banho, chegava à cidade, ela permitia que ele alvorecesse nas manhãs dela. Esses encontros esporádicos aquebrantavam um pouco o desejo, a quase saudade que ela parecia sentir de Fio Jasmim. Às vezes era ele mesmo que chegava, uma ou duas por ano, renovando lembranças lá de dentro das águas. Desse modo, era impossível a memória do corpo da moça produzir esquecimentos em relação ao moço bonito, ao mais jovem dos maquinistas. E assim Aurora Correa Liberto cultivava uma cálida paixão por Fio Jasmim, à distância, cuidando-se sempre.
Antonieta Véritas da Silva, na cidade de Remanso Velho, buscava romanticamente um homem para ser feliz, acabou sendo iludida por Fio Jasmim e se entregou a ele. Anos depois, soube-se que ela tinha um filho chamado Jazmizinho. Já Dolores do Santos tinha uma joalheria em Ardência Antiga. No dia em que o trem partiria, ela e Fio Jasmim tiveram relações sexuais, de forma que Dolores ficou grávida:
Dolores, embora sempre desconfiando de Fio Jasmim, resolveu ser feliz com as suas meninas gêmeas, Rubia e Safira. Decidira até se deslembrar de que um homem, o pai das meninas, tinha existido na vida dela. Durante um tempo, enviou várias cartas à sede da CFN, pedindo ao funcionário Fio Jasmim que se comunicasse com ela. Nunca obteve resposta. O comboio, pelo menos de quatro em quatro meses, visitava as duas Ardência, porém, nunca mais a equipe de Fio Jasmim voltou.
Dalva Amorato vivia em Águas Infindas com seu marido médico e dois filhos. Após se separarem, ela foi morar com os filhos na cidade de Dias Felizes. Seu sonho era fazer curso de Farmácia. Conhecida como Dalva Ruiva, ela decidiu se prostituir para conseguir o dinheiro. Mas foi em Águas Infindas, depois de ter realizado seu sonho, que ela encontrou Fio Jasmim em um hospital, após ele sofrer um pequeno acidente.
Passaram a se reencontrar em várias cidades, até que ela ficou grávida dele. Quando a criança nasceu, ela contou para o pai, mas ele questionou a paternidade, como ela tinha certeza que o filho era dele? Ela ficou grávida mais uma vez. E teve também um terceiro filho de Fio Jasmim.
Finalmente, a narradora volta a Tina. Juventina tinha 17 anos quando conheceu Fio Jasmim, que tinha 33 anos. Ele e a esposa eram vizinhos de uma prima-irmã de Tina. Ela era virgem, estava apaixonada pela primeira vez. Tina tinha sido criada pela mãe e pelas tias, não tinha contato com o pai. Sobre sua relação com Fio Jasmim, a narradora diz:
Amou e se apaixonou sozinha. Nunca soube, nunca experimentou a ressonância desses sentimentos, nunca viveu o retorno de uma paixão de Fio Jasmim para ela. Fez da vida só um tempo de amor só. Amou sozinha. Amou só. Só o amor dela para Fio Jasmim e nunca experimentou o de Fio Jasmim para com ela. Nunca buscou o mais profundo de Fio Jasmim. Nunca pediu nada a ele. Nem a presença. Seu corpo, seu amor, sua vida foram oferendas para o Fio Jasmim durante anos e anos.
Fio Jasmim conheceu Eleonora Distinta de Sá em um bar. Ela o levou para casa, “dormiu lado a lado com ele”. Em seguida, a narradora fala de Fio Jasmim, conta um pouco de sua história, revelando um mundo masculino marcado pelo machismo:
Fio Jasmim depois que se entendera por gente, ou melhor, bem antes, ali pelos dez anos, chorara muito pouco diante de alguém. Se tinha raiva, medo ou tristeza, lágrimas vertidas para dentro pretendiam dar conta de qualquer sentimento. Aprendera, desde cedo, a engolir o choro e deixar de lado qualquer sentimento que parecesse dor ou tristeza. Só a raiva era permitida, se não fosse contra os mais velhos. Raiva, explosão, enfrentamento na rua eram atitudes de um menino que estava se tornando homem. Mas uma advertência o pai fazia: cuidado com as mulheres. Se brigasse com elas, que medisse as palavras e evitasse discutir, porque as mulheres, quando começavam, não paravam. Também não era bom brigar com elas, contrariá-las, pois elas podiam negar um bem precioso que só elas possuíam. Mas essa parte do conselho ele só entenderia quando fosse maior, quando estivesse casado talvez…
Seguidor dos conselhos do pai e dos homens mais velhos, Fio Jasmim acreditava que, como homem, ele era um sujeito bom e certo. Trabalhava, supria as necessidades da mulher e dos filhos do casamento, pois esses, ele tinha a certeza que eram dele. Os outros, não tinha certeza alguma, mas os presenteava de vez em quando, na medida de possíveis encontros, o que era raro. Também as mães davam conta sozinhas, não precisavam dele financeiramente. Talvez ele tivesse filhos, que nem ele mesmo soubesse que existiam. Tratava bem a sua mulher em casa, que desconfiava dos bordejos que ele dava na rua. Porém, quando a cisma dela se transformava em lágrimas, ele sabia como consolá-la. […]
Ele gostava de ter a esposa Pérola Maria e Tina, com quem ele só trocava carinhos sexuais, sem tirar a virgindade dela: “Ela gostava de seus carinhos, se acostumou e se viciou como ele. Era muito bom ter as duas.” No nono ano “que o amor deles estava acontecendo”, Tina fez uma surpresa para ele: “Entoou uma belíssima canção, feita mais de vocalização e murmúrios do que de palavras. Ela cantou a ‘A canção para ninar menino grande’”.
Então a narradora volta novamente a Leonora Distinta de Sá. Ela tinha sido expulsa de casa com 17 anos porque fora flagrada beijando a prima da namorada de seu irmão, por quem era apaixonada. Sobrevivera e nunca mais tivera contato com a família. Com 27 anos, foi em busca da moça por quem fora apaixonada, Nina. Na frustração do desencontro, conheceu Fio Jasmim.
Já Juventina contava para a narradora “o motivo da dor que lhe tomara o peito”. Diz a narradora: “O que muito me impressionava era como vários detalhes da vida de Fio Jasmim tinham chegado ao conhecimento dela”. Sobre as confissões de Eleonora a Fio Jasmim:
Quando Fio Jasmim escutou da boca de uma mulher uma contida confissão de amor, que não era dirigida para um homem e sim para outra mulher, ele quase não acreditou. Já tinha ouvido de mulheres que não gostavam de homens, mas não conhecia nenhuma delas que gostasse de mulher. Aliás, ainda pequeno, ouvia algumas vezes sobre uma prima distante, que causava um zum-zum-zum na família. Diziam que a moça havia deixado o noivo, às vésperas do casamento, para ficar com uma mulher. Fio cresceu e nunca mais ouviu falar de prima Eulália. Quanto a homem gostar de homem, ele conhecia de perto alguns poucos, ninguém da família. Jasmim até brincava que gostava deles, pois eram homens do tipo que nunca competiriam pelas mulheres com ele. E, mesmo se competissem, ele ganharia, pois o dono da virilidade era ele. Era essa a visão que Fio Jasmim tinha a respeito das relações amorosas entre pessoas iguais. Foi preciso a vivência de Distinta de Sá para que ele entendesse que duas mulheres podiam se amar entre si até o infinito.
Eleonora e Tina se conheceram. A relação entre Fio Jasmim e Tina durou 35 anos, “enquanto ela quis”. Aposentada, Tina decidiu viajar de cidade em cidade. Assim, a narrativa termina com a possibilidade de que Eleonora e Tina possam viver juntas um grande amor:
Sei apenas, a partir de minha intuição feminina, que novas canções estão para nascer na vida de Tina. Não só na dela. Um encantamento paira no ar quando Juventina e Eleonora se encontram em nossa roda. As outras amigas também estão tendo essa boa premonição. Quem sabe a busca de Eleonora por um passado irrecuperável tenha a resposta nesse tempo presente a construir. Queremos ser cúmplices e testemunhas das histórias de amor, enquanto vivemos as nossas. Uma paixão também ameaça em meu peito…
A obra coloca em evidência o universo masculino em contraposição ao universo feminino. Fio Jasmim é a representação de um homem heterossexual, educado para agir como um “macho”, mas vazio existencialmente. As mulheres que cruzam sua vida são marcadas pela diversidade e por uma espécie de força feminina.
Veja também: A representação de pessoas negras na literatura brasileira
Características da obra Canção para ninar menino grande
A obra apresenta 16 capítulos ou fragmentos.
Conceição Evaristo é uma autora da literatura contemporânea brasileira. Atualmente, não há estilos de época, mas diversidade e liberdade de criação, de forma que predomina o estilo individual. No entanto, na contemporaneidade, está em evidencia a literatura periférica. Esse tipo de literatura valoriza a experiência de grupos minoritários, tais como mulheres, pessoas negras, entre outros.
Desse modo, a obra de Conceição Evaristo coloca em evidência a experiência periférica de seus personagens. Privilegia a voz feminina e a experiência de pessoas negras. Assim, mostra o universo feminino, marcado por amor, desejo, mas também pela opressão. A linguagem poética torna o cotidiano de seus personagens algo especial e único.
Contexto histórico da obra Canção para ninar menino grande
O contexto histórico da narrativa de Canção para ninar menino grande, possivelmente, é a segunda metade do século XX e início do século XXI. Chegamos a essa conclusão devido ao fato de o personagem Fio Jasmim não reconhecer seus filhos fora do casamento, chegando mesmo a questionar como a mãe teria certeza. Além disso, há a passagem dos anos, de forma que provavelmente a história termine na contemporaneidade.
Assim, esse período da história brasileira foi marcado pela pós-ditadura, retomada da democracia, fortalecimento da voz das minorias, mas também pelo crescimento do conservadorismo. A obra, no entanto, apesar de apresentar cunho político ao dar protagonismo a mulheres e a pessoas negras, está mais centrada na reflexão acerca das essências feminina e masculina, de forma que é mais universal. No entanto, os comportamentos dos personagens estão condizentes com o contexto histórico.
Nesse contexto, o machismo ainda persiste, muitos homens tratam mulheres com objeto sexual. E mulheres ainda questionam seu lugar na sociedade, além de viverem o conflito de lidar com o mundo masculino. Apesar das mudanças na sociedade, a relação entre o masculino e o feminino ainda é conflituosa.
Frases de Canção para ninar menino grande
A obra não apresenta frases de impacto, não expressa pensamentos impactantes da narradora, pois a narrativa está centrada nas ações dos personagens. O que sobressai no texto é a construção poética, como se vê nestas frases:
-
“Na ceia nupcial em que tudo deveria ser a celebração da vida, o cálice oferecido não veio com o bom vinho; pelas bordas da taça, só o derramamento do fel.”
-
“No auge da solidão, aceitou a companhia, o afeto de quem ela cria como sendo seu inimigo, ao perceber que ele também guardava a angústia humana.”
Saiba mais: Niketche: uma história de poligamia — obra de Paulina Chiziane que discute relações poligâmicas na cultura africana
Conceição Evaristo, autora de Canção para ninar menino grande

Conceição Evaristo nasceu em Belo Horizonte, no estado de Minas Gerais, no dia 29 de novembro de 1946. Vivia em uma favela, sendo sustentada por sua mãe, que era lavadeira e passadeira. Pensando no futuro da autora, a mãe deixou a menina de sete anos viver com os tios, que apresentavam uma situação financeira melhor.
A escritora estudou em escola pública, trabalhou como empregada doméstica, fez curso de magistério e mudou-se para o Rio de Janeiro, onde passou a trabalhar como professora. Em seguida, fez faculdade de Letras, mestrado e doutorado. Ponciá Vicêncio, seu primeiro romance, foi publicado em 2003. Seu livro de contos Olhos d’água foi vencedor do prêmio Jabuti em 2015.
Créditos das imagens
Fontes
ABAURRE, Maria Luiza M.; PONTARA, Marcela. Literatura: tempos, leitores e leituras. 4. ed. São Paulo: Moderna, 2021.
CNPQ. Currículo Lattes: Maria da Conceição Evaristo de Brito. Disponível em:
DUARTE, Eduardo de Assis. O Bildungsroman afro-brasileiro de Conceição Evaristo. Revista Estudos Feministas, Florianópolis, v. 14, n. 1, abr. 2006.
EVARISTO, Conceição. A escrevivência e seus subtextos. In: DUARTE, Constância Lima; NUNES, Isabella Rosado (orgs.). Escrevivência: a escrita de nós. Rio de Janeiro: Mina Comunicação e Arte, 2020.
EVARISTO, Conceição. Canção para ninar menino grande. 2. ed. Rio de Janeiro: Pallas, 2022.
LITERAFRO. Conceição Evaristo. Disponível em:
SOUZA, Emilene Corrêa. A questão da memória identitária afro-brasileira na poesia de Ana Cruz e Conceição Evaristo. 2014. Dissertação (Mestrado em Letras) – Instituto de Letras, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2014.
