A influenciadora digital Pietra Bertolazzi afirma ter sido vítima de ameaça de morte e de uso indevido de dados pessoais e cartões de crédito após criticar o grupo musical sul-coreano BTS, também conhecido como Bangtan Boys, em redes sociais. A opinião sobre os integrantes da banda K-pop foi publicada em seu Instagram durante a final da Copa do Mundo e desencadeou uma campanha de cancelamento, com vazamento de dados pessoais e fraudes. O caso é investigado pela Divisão de Crimes Cibernéticos de São Paulo (DCCIBER).
Conhecida como ativista conservadora com posicionamento antifeminista, Pietra conta com 1,3 milhão de seguidores nas redes sociais e costuma falar sobre temas que geram debate entre seus seguidores e críticos. No entanto, sua defesa afirma que a repercussão desta vez ultrapassou os limites de um “cancelamento” no ambiente virtual e teria ingressado na esfera criminal.
“São apurados, neste momento, crimes como invasão de dispositivo informático, estelionato, ameaça, calúnia, difamação e injúria”, afirma o advogado Gabriel Carvalho de Jesus, ao apontar que o vazamento de informações cadastrais de Pietra teria sido usado em “ação coordenada e sistemática” com objetivo de causar prejuízos patrimoniais, danos à honra, violação da privacidade e comprometimento da segurança pessoal da vítima.
Entre as ações estaria uso indevido de identidade para preenchimento de cadastros, criação de contas bancárias, registros em serviços online como IFood, mais de 70 tentativas de compras no nome da influenciadora e até ameaça de morte.

A Gazeta do Povo entrou em contato com a DCCIBER, que investiga os fatos. A delegacia não deu detalhes do caso, mas confirmou estar apurando os fatos.
“Grupo de homens totalmente afeminados”, criticou a influenciadora
A crítica que deu início às ações foi realizada por Pietra em suas redes sociais em 19 de julho, quando a influenciadora criticou a aparência e o comportamento do grupo BTS durante apresentação realizada no intervalo da final do Mundial de futebol deste ano. Formado por sete integrantes, o grupo sul-coreano é um dos maiores nomes do K-pop atual no mundo com milhões de fãs internacionalmente.
Pietra afirmou, então, estar chocada ao saber que uma das maiores referências da geração atual seria, para ela, “um grupo de homens totalmente afeminados, vaidosos e cheios de caras e bocas”. Ela apontou também ter sentido “vergonha alheia” e disse que não era possível que a maioria não percebesse a gravidade da situação.

A declaração provocou uma onda de críticas e, nos dias seguintes, internautas passaram a divulgar nas redes sociais informações que diziam ser dados pessoais da influenciadora. Os usuários também começaram a incentivar e relatar ações realizadas com os dados, como o falso preenchimento de cadastros para mesária voluntária durante as eleições de outubro de 2026 em diversos estados do Brasil.
À Gazeta do Povo, no entanto, o advogado Gabriel Carvalho de Jesus explica que um eleitor só pode ser mesário em seu estado. “Então, esse é o menor dos problemas”, disse, ao citar que também teriam sido mencionados pedidos de filiação de Pietra a diferentes partidos, como PT e PCdoB.
Ele ressalta, porém, que o envio de uma solicitação para um partido não significa que a filiação tenha sido efetivada, já que depende de procedimentos internos e, principalmente, da aceitação da legenda. Essas e outras ações com uso indevido de dados, segundo o advogado, eram comemoradas e compartilhadas por usuários nas redes X e Discord.
Pietra questiona educação da juventude atual e falta de referência paterna
Em seu pronunciamento após a repercussão do caso, Pietra ironizou as críticas que recebeu dos fãs do BTS, apontou que as ações foram criminosas e chamou a atenção dos pais a respeito da situação.
Para Pietra, a mobilização de tantos jovens em campanhas de cancelamento e ameaças deveria provocar discussão sobre quem ocupa atualmente o papel de referência na formação dessas crianças e adolescentes.
“Criança não acorda fanática, não acorda odiando a própria fé. A criança é moldada. Então, quem moldou essas crianças?”, questionou, ao afirmar que as famílias estariam perdendo espaço na formação dos filhos e que redes sociais, entretenimento e outras instituições teriam tomado esse lugar.
“Isso é um sintoma de um país que terceirizou a formação dos próprios filhos e que agora se assusta com o resultado”, declarou.
Não estão atacando a minha opinião. Estão atacando o que represento.
Pietra Bertolazzi, influenciadora digital que afirma ter sido vítima de ameaças e de uso indevido de dados pessoais após crítica ao BTS
Em seu posicionamento, a influenciadora também abordou o tema da “masculinidade”, já esse foi o assunto do comentário realizado durante a Copa. De acordo com ela, características necessárias à formação masculina estariam sendo associadas atualmente a comportamentos “tóxicos”, como se a força do homem fosse ameaça à mulher.
“Muito pelo contrário: a ameaça sempre foi o homem fraco, covarde, sentimentalista e ausente”, disse, ao esclarecer que a construção de uma “masculinidade saudável” dependeria principalmente do ambiente familiar e da referência paterna. “Quando você tira o pai do centro do lar, quando demoniza a masculinidade e esvazia a fé, a criança fica órfã de referência”, alertou.
A influenciadora ainda apontou que, apesar de os ataques terem ocorrido após seu comentário sobre o comportamento do BTS, a onda de cancelamentos parece uma ofensiva a outros temas que ela defende.
“Não estão atacando a minha opinião. Estão atacando o que represento”, afirmou, ao citar que é “uma mulher católica” que fala sobre “crianças não serem laboratório de ideologia”, sobre lar não ser prisão, e que fé em Deus não é motivo de vergonha.
“Por isso que a fúria é tanta. Ninguém organiza um exército contra quem não ameaça nada”, reagiu.
