Santos contou à coluna que recebeu a notificação extrajudicial da empresa em 24 de fevereiro, mas decidiu procurar um advogado para tentar permanecer no imóvel. “Eu nem ia fazer nada, ia sair, mas as pessoas que me conheciam se revoltaram e incentivaram a ir à Justiça”, diz.
“Eu sempre pensei em tornar o prédio um ponto turístico. Foram quase 17 anos, não imaginava que fosse ter uma repercussão tão forte, mas de repente as coisas foram acontecendo, e até o sobrinho do Michael foi lá gravar. Eu fiz com que essa casa se valorizasse”, afirma.
Carlos diz que mora hoje em um quarto alugado no Pelourinho, mais precisamente atrás da casa de Jorge Amado, e que usava o dinheiro obtido com a lojinha no térreo e da visitação na varanda para pagar também seus remédios: ele sofre de úlcera varicosa, uma ferida causada por problemas de circulação.
“Eu ainda pago R$ 450 de despesa para um filho e mais R$ 450 para outro filho, além de R$ 800 de aluguel. Não tem como eu ficar aqui, estou pensando o que vou fazer da vida”, diz.
O comerciante afirma que gostaria de permanecer no local, mas confessa que não acredita em uma reversão da decisão.
“Eu estou agora pedindo às pessoas para me ajudarem a arrumar um ponto para trabalhar como camelô. Seria ótimo porque eu teria alguma atividade e um local para vender minhas coisas.”
