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Histórico complacente de Cármen Lúcia contradiz discurso em sessão tensa do STF

Em meio aos tumultos, acusações e trocas de ofensas que marcaram a sessão do Supremo Tribunal Federal (STF) no último dia 15, a ministra Cármen Lúcia pediu desculpas aos brasileiros. A tentativa de aproximação com o sentimento de decepção compartilhado por grande parte da população, porém, esbarra em uma trajetória marcada por decisões que ajudaram […]

Em meio aos tumultos, acusações e trocas de ofensas que marcaram a sessão do Supremo Tribunal Federal (STF) no último dia 15, a ministra Cármen Lúcia pediu desculpas aos brasileiros. A tentativa de aproximação com o sentimento de decepção compartilhado por grande parte da população, porém, esbarra em uma trajetória marcada por decisões que ajudaram a produzir justamente a crise de credibilidade que a ministra agora lamenta.

“Eu peço desculpa ao povo brasileiro por talvez ter esperado de mim uma postura diferente”, afirmou a ministra, acrescentando que gostaria de ter ajudado a “acalmar as coisas”, mas não conseguiu.

Ao longo dos últimos anos, porém, ela apoiou algumas das decisões mais associadas ao desgaste da imagem dos tribunais superiores, tanto no STF quanto no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Votou pela constitucionalidade do inquérito das fake news, foi favorável à censura de documentário sobre Jair Bolsonaro, acompanhou entendimentos que ampliaram a remoção de conteúdos nas redes sociais e apoiou medidas apontadas por juristas como incompatíveis com as garantias fundamentais.

Entre os episódios que mais contribuíram para o desgaste da imagem do STF está justamente o inquérito das fake news, que já dura mais de sete anos. Aberto em 2019 por iniciativa da própria Corte, com uma manobra interpretativa em relação ao regimento interno do tribunal, o procedimento foi apresentado como resposta a ameaças e a supostas campanhas de desinformação dirigidas contra ministros do Supremo.